05/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

TCU identifica quase 12 mil obras com recursos federais paralisadas no Brasil

Publicado em 05 de dezembro, 2024

TCU identifica quase 12 mil obras com recursos federais paralisadas no Brasil

Seriam necessários mais R$ 20 bilhões para terminar a execução dos projetos. (Foto: Reprodução)

De janeiro a novembro deste ano, 11.941 obras financiadas com recursos federais estavam paralisadas, representando 52% dos contratos vigentes.

A proporção equivale a uma obra interrompida a cada duas contratadas com dinheiro público, segundo levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU). O órgão alerta que essa situação gera desperdício de recursos públicos e compromete a eficácia das políticas sociais, impactando o atendimento às necessidades básicas da população.

Educação e saúde concentram a maioria das paralisações

Dos projetos paralisados, 8.674 são nas áreas de educação e saúde, o que corresponde a 72,6% do total. Entre as obras interrompidas estão unidades básicas de saúde, UPAs, escolas, creches, quadras esportivas e centros de atenção especializada. A paralisação dessas estruturas compromete o acesso a serviços essenciais e afeta diretamente a qualidade de vida em diversas comunidades.

Maranhão, Bahia e Pará lideram o ranking

Entre os estados, o Maranhão apresenta o maior número de obras paralisadas, com 1.232 empreendimentos, o que equivale a 62% dos contratos vigentes. A Bahia ocupa a segunda posição, com 972 obras (57% dos contratos), seguida pelo Pará, com 938 obras paralisadas (77% dos contratos). Esses estados, que lideram o ranking desde 2022, também apresentam mais obras interrompidas do que em andamento, agravando a situação em setores já carentes, como a educação infantil.

Sinais de recuperação

Apesar do cenário preocupante, o TCU destacou avanços. Em 2024, 1.169 obras que estavam paralisadas foram retomadas, e 5.463 foram concluídas desde o último levantamento. A Caixa Econômica Federal também reduziu o número de paralisações em suas obras financiadas, passando de 4.106 em 2023 (46,5% da carteira) para 2.743 em 2024 (38,9%).

Controle social e recomendações

Para o ministro-relator Vital do Rêgo, o cenário exige maior controle social e engajamento dos gestores. “O TCU fomenta o controle social e assegura que o cidadão tenha ciência de como os recursos públicos estão sendo aplicados”, afirmou. O tribunal recomendou aos Ministérios das Cidades, Educação, Saúde e Integração Regional, além da Fundação Nacional de Saúde, a adoção das plataformas Transferegov.br e Obrasgov.br para melhor gestão dos contratos.

O TCU enfatizou que iniciativas como o Pacto Nacional pela Retomada de Obras da Educação e Saúde são fundamentais para identificar e concluir projetos interrompidos, contribuindo para a melhoria dos serviços essenciais à população.

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