
Programa Desenrola terá fundo de R$ 10 bilhões do governo, diz Haddad
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, validou o desenho do programa Desenrola com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta segunda-feira (6/3). Segundo o titular da pasta, haverá um aporte de R$ 10 bilhões em um fundo garantidor, que irá permitir juros mais baixos, para renegociar dívidas de cerca de 37 milhões de brasileiros negativados.
De acordo com o ministro, trata-se de um sistema “complexo”. A iniciativa será oferecida para “todas as pessoas negativadas”, e não terá linha de corte. Além disso, um dos pontos fortes da iniciativa é que os endividados que recebem até dois salários mínimos terão descontos maiores.
“Os credores vão entrar no programa pelo tamanho do desconto que se dispuserem a dar para os devedores. Justamente os que estão com nome, com CPF negativado no Serasa ou empresas semelhantes a essa”, explicou Haddad a jornalistas na entrada do ministério da Fazenda, após reunião com Lula no Planalto.
O progama será criado a partir de uma medida provisória (MP). O formato é a medida legal indicada para que o governo federal tenha autorização para mediar as negociações entre a população inadimplente e os bancos e empresas.
Segundo Haddad, o Desensola só será lançado pelo governo houver “previsão de que o sistema finceiro ficará pronto”.
“Vamos nos lembrar que não é um crédito público, é uma dívida privada, então nós temos que modelar o sistema pra que, quanto maior seja o desconto, mais chances o credor tenha de receber o débito que vai ser honrado pelo devedor”, frisou.
Entre as promessas de campanha de Lula, a iniciativa foi anunciada pelo governo federal ainda em janeiro, e tem como objetivo reduzir o número de inadimplentes e promover o retorno das famílias ao mercado.
Atualmente, segundo o Serasa, 70 milhões de brasileiros estão inadimplentes. O valor médio da dívida do brasileiro é de R$ 4.612,28, o que corresponde a uma alta de 2,6% na comparação com dezembro do ano passado.