11/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

EUA parabenizam o Brasil pelo ‘bem sucedido’ primeiro turno da eleição no Brasil

Publicado em 03 de outubro, 2022

EUA parabenizam o Brasil pelo ‘bem sucedido’ primeiro turno da eleição no Brasil

O Secretário do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Antony J. Blinken, usou as redes sociais para parabenizar o Brasil pelo “bem sucedido” primeiro turno das eleições presidenciais de 2022. A mensagem foi postada no Twitter às 10h da noite de Washington D.C., depois que tanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto o presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) já tinham se manifestado reconhecendo o resultado das urnas.

No mesmo tom, a Embaixada dos EUA no Brasil também usou as redes para dar os “parabéns às autoridades eleitorais e ao povo brasileiro pelo 1º turno bem-sucedido, livre e transparente”.

“Os EUA apoiam o livre exercício do direito democrático de escolher seu próximo líder. Estamos certos de que o 2º turno será conduzido da mesma maneira”, segue a nota da embaixada.

A eleição no Brasil teve longas filas e atrasos na apuração, mas, a despeito da tensão e da polarização política, episódios de violência foram pontuais e isolados.

Ao longo de toda a campanha e pré-campanha, autoridades americanas reiteraram a confiança no processo eleitoral brasileiro, a despeito das repetidas acusações de fraude — sem provas — disparadas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição.

Na última segunda, 26/09, em sabatina na TV Record, Bolsonaro chegou a dizer que o TSE é “parcial”. “Não mando no TSE. Não tem como convencê-los. Por exemplo, estou proibido de fazer ‘live’ dentro da minha casa oficial, tenho que ir para casa de alguém. Perseguição política”, afirmou Bolsonaro.

A mensagem dos americanos ainda na noite da eleição é uma forma de marcar que estão atentos ao processo e pronto para atuar de modo a desencorajar qualquer eventual tentativa de desrespeito às urnas.

Resultado apurado

Na quarta-feira que precedeu a eleição, o Senado dos EUA aprovou uma resolução que recomendava justamente que o governo americano reconhecesse “imediatamente” o resultado apurado e anunciado pelas autoridades eleitorais do Brasil.

A mesma resolução, porém, ia além mais longe. Introduzida pelo senador Bernie Sanders e outros cinco senadores democratas, a medida apoiava rompimento de relações e assistência militar entre os dois países em caso de “um golpe”.

“Não estamos tomando lado na eleição brasileira, o que estamos fazendo é expressar o consenso do Senado de que o governo dos EUA deve deixar inequivocamente claro que a continuidade da relação entre Brasil e EUA depende exclusivamente do compromisso do governo do Brasil com democracia e direitos humanos. O governo Biden deve deixar claro que os Estados Unidos não apoiam nenhum governo que chegue ao poder ao Brasil por meios não democráticos e assegurar que a assistência militar é condicional à democracia e transição pacífica de poder”, afirmou Sanders.

A medida não contava com apoio declarado de nenhum republicano, mas, pelas regras da Câmara Alta, se nenhum senador objeta a um texto de resolução em plenário, ele é aprovado por unanimidade na casa.

“É imperativo que o Senado dos EUA deixe claro por meio desta resolução que apoiamos a democracia no Brasil”, disse Sanders.

“Seria inaceitável que os EUA reconhecessem um governo que chegou ao poder de forma não democrática e enviaria uma mensagem horrível para o mundo inteiro. É importante que o povo brasileiro saiba que estamos do lado deles, do lado da democracia. Com a aprovação desta resolução, estamos enviando essa mensagem”.

Não foi só o Senado americano que se manifestou sobre a democracia no Brasil nos dias que antecederam a ida dos brasileiros às urnas.

Parceiro democrático

Na segunda-feira que precedeu a eleição, o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, disse à BBC News Brasil que “como parceiro democrático, os EUA acompanharão as eleições de outubro com grande interesse”.

“Esperamos que as eleições sejam conduzidas de maneira livre, justa e confiável, uma prova da força duradoura da democracia brasileira”, acrescentou o porta-voz.

Na terça, apenas cinco dias antes do pleito, a porta-voz da Casa Branca afirmou em coletiva de imprensa que os americanos “monitorariam” a eleição e expressou preocupação com a escalada de violência política nas ruas. A maior parte dos episódios teve petistas como vítimas de ataques de bolsonaristas.

“Os EUA condenam toda forma de violência e pedem aos brasileiros que se manifestem pacificamente. Isso é importante nesta eleição”, afirmou Karine Jean-Pierre.

A manifestação também explicita a prioridade que a questão da saúde democrática tem na agenda do governo americano sob Joe Biden.

Biden

O próprio Biden, eleito em 2020, se viu como alvo de acusações infundadas do então candidato à reeleição Donald Trump, aliado de Bolsonaro, de ser um presidente “ilegítimo”, alçado ao poder em eleições fraudadas.

Diante das alegações de Trump, Bolsonaro levou semanas a reconhecer o presidente eleito dos EUA. Ele foi o último dos líderes do G-20 a fazê-lo e chegou a ecoar as declarações de Trump sobre fraude no pleito americano. A retórica de Trump gerou um caldo de insatisfação entre seus apoiadores que chegaram a invadir o Capitólio em 6 de janeiro de 2021, enquanto o Congresso certificava a vitória de Biden.

O episódio — que acabou com cinco mortos — trincou a autoimagem do país e ajuda também a explicar a cautela que eles adotaram diante do pleito brasileiro, no qual identificavam elementos semelhantes ao que viveram há apenas dois anos.

Veja mais notícias em Política

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.