19/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Cena amazônica: casa arrastada no braço vira flutuante, escapando da cheia e da terra caída. Veja o vídeo

Publicado em 02 de maio, 2022

Cena amazônica

Cena amazônica mostra o mutirão para mover a casa, com cerca de 120 pessoas

A Amazônia é uma região de difícil compreensão para quem não conhece o cotidiano do caboclo. Este sábado (30/04), cerca de 120 pessoas participaram de mutirão para remover uma casa ameaçada pela enchente e a terra caída. O vídeo que registra o momento é impressionante. No braço, na força bruta, eles empurraram o imóvel para uma estrutura dentro do rio Solimões e a transformaram em flutuante.

O trabalho é uma engenharia cabocla dos carpinteiros Jackson e Alexandre Bezerra. Os dois trabalharam meses. Montaram uma engenhosa estrutura que permitiu o deslizamento da casa, da terra firme para o flutuante.

 

Manacapuru-Manaquiri

A casa removida está localizada na comunidade do Barroso, no Município de Manaquiri. Fica na margem direita do rio Solimões, em frente à comunidade Bela Vista, de Manacapuru, que é da margem esquerda.

O local onde o imóvel – que se tornou móvel – foi construído é uma ponta de ilha. A terra estava ameaçada, tanto pela cheia quanto pelo fenômeno da terra caída. O barranco, devido à infiltração de água da chuva e da cheia, desaba de uma hora para a outra. É quando hectares de terra desaparecem no leito do rio, num fenômeno comum nas barrancas do Solimões – a terra caída.

 

Fartura de peixes

Os moradores do Barroso são exímios pescadores. A região é conhecida por ter área de igapó, na qual proliferam peixes como pacu e aracu. E fica bem ao lado da Ressaca do Pesqueiro.

O mutirão de remoção da casa da terra firme para o flutuante foi sustentado por cerca de 800 pacus, pescados na conhecida Costa do Barroso. “Não é piracema ainda. É pacu do igapó mesmo”, diz dona Irene, cuja família reside nas redondezas.

Jackson e Alexandre já fizeram outras remoções desse tipo. Eles primeiro “desmontam” a estrutura de sustentação da casa, deixando-a livre para os empurradores. Depois fazem a base do flutuante. Quando a casa chega ao ponto correto é só fazer as amarras.

“Não tem volta. A casa virou um flutuante para sempre”, diz dona Irene.

VEJA O VÍDEO DO MOMENTO EM QUE A CASA É ARRASTADA:

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