
Cena amazônica mostra o mutirão para mover a casa, com cerca de 120 pessoas
A Amazônia é uma região de difícil compreensão para quem não conhece o cotidiano do caboclo. Este sábado (30/04), cerca de 120 pessoas participaram de mutirão para remover uma casa ameaçada pela enchente e a terra caída. O vídeo que registra o momento é impressionante. No braço, na força bruta, eles empurraram o imóvel para uma estrutura dentro do rio Solimões e a transformaram em flutuante.
O trabalho é uma engenharia cabocla dos carpinteiros Jackson e Alexandre Bezerra. Os dois trabalharam meses. Montaram uma engenhosa estrutura que permitiu o deslizamento da casa, da terra firme para o flutuante.
A casa removida está localizada na comunidade do Barroso, no Município de Manaquiri. Fica na margem direita do rio Solimões, em frente à comunidade Bela Vista, de Manacapuru, que é da margem esquerda.
O local onde o imóvel – que se tornou móvel – foi construído é uma ponta de ilha. A terra estava ameaçada, tanto pela cheia quanto pelo fenômeno da terra caída. O barranco, devido à infiltração de água da chuva e da cheia, desaba de uma hora para a outra. É quando hectares de terra desaparecem no leito do rio, num fenômeno comum nas barrancas do Solimões – a terra caída.
Os moradores do Barroso são exímios pescadores. A região é conhecida por ter área de igapó, na qual proliferam peixes como pacu e aracu. E fica bem ao lado da Ressaca do Pesqueiro.
O mutirão de remoção da casa da terra firme para o flutuante foi sustentado por cerca de 800 pacus, pescados na conhecida Costa do Barroso. “Não é piracema ainda. É pacu do igapó mesmo”, diz dona Irene, cuja família reside nas redondezas.
Jackson e Alexandre já fizeram outras remoções desse tipo. Eles primeiro “desmontam” a estrutura de sustentação da casa, deixando-a livre para os empurradores. Depois fazem a base do flutuante. Quando a casa chega ao ponto correto é só fazer as amarras.
“Não tem volta. A casa virou um flutuante para sempre”, diz dona Irene.