
Cepa do Japão e reinfecção detectadas em paciente de 29 anos. Fica demonstrado que o coronavírus tem grande capacidade de mudar para sobreviver
Uma mulher de 29 anos, que havia contraído a cepa B.1, dia 24 de março de 2020, voltou a contrair Covid-19 no dia 30 de dezembro. A reinfecção foi detectada em exame da Fiocruz Amazônia, comandada pelo cientista Felipe Naveca, especialista em sequenciamento genético, conforme matéria exclusiva deste portal. Ela se deu pela variedade B.1.1.28, a mesma encontrada em quatro viajantes que voltaram do Amazonas para o Japão, dia 02/01. É também a agressiva cepa da África do Sul.
Por conta dessa descoberta, a Secretaria de Vigilância em Saúde emitiu hoje (13/01), a comunicação de risco n° 3, que apresenta o 2° caso de reinfecção por nova cepa variante do SARS-CoV-2, a Covid-19, identificada no Amazonas. O Brasil tem 254 casos suspeitos de reinfecção, ainda não confirmados. Onze deles são do Estado.
A notificação do caso confirmado foi feita pelo Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS AM), a partir da confirmação da Fiocruz Amazonas, pelo Laboratório de Referência para diagnóstico do novo coronavírus. Veja aqui o documento: Alerta-Epidemiológico-n°3
A paciente reinfectada tem sintomas leves. O segundo resultado positivo para SARS-CoV-2, por RT-PCR, dia 30 de dezembro, ocorreu 9 meses depois do primeiro.
A partir da investigação de sequenciamento nucleotídio foram concluídos os sequenciamentos de 172 genomas completos do SARS-CoV-2, sendo 148 do Amazonas. No dia 12 de janeiro foi concluído o sequenciamento das duas amostras.
A primeira amostra foi realizada pela ferramenta Pangolin, que mostrou primeira infecção pela linhagem B.1 e reinfecção pela linhagem B.1.1.28. Esse resultado é perfeitamente compatível com a situação epidemiológica, uma vez que em março de 2020 havia o predomínio da B.1 no Amazonas, e, no segundo semestre, pelo que tudo indica, a pandemia é comandada pela linhagem B.1.1.28.
A segunda análise foi realizada com a ferramenta CoVSurver , a qual mostrou um padrão de mutações na região da proteína Spike, compatível com a variante da linhagem B.1.1.28 descrita recentemente por pesquisadores do Japão.
Milhares de variantes da SRA-CoV-2 circulam e mais irão surgir ao longo do tempo. A vigilância de cepas é importante para saúde pública para apoiar no enfrentamento da Covid-19. A análise de rotina dos dados de sequenciamento genético pode permitir a identificação de vírus variantes na população.
No Brasil foram identificados dois casos de reinfecção por SARS-CoV-2, no estado da Bahia, com mutação E484K, que é a mutação identificada originalmente na África do Sul, e no estado da Amazonas na linhagem B.1.1.28 (K417N/E484K/N501Y), variante Amazônica descrita inicialmente no Japão.
A situação epidemiológica da Covid-19 no Brasil é de 8.075.998 casos acumulados, com 62.290 casos novos e com coeficiente de incidência de 3.900por 100 mil habitantes. O total de recuperados é de 7.273.707 e em acompanhamento 717.240. O número de óbitos acumulados é de 202.690, com coeficiente de mortalidade de 97,4 por 100 mil habitantes e uma taxa de letalidade de 2.5% (Brasil. Painel Covid-19. Disponível em: https://covid.saude.gov.br/Acessado em 12/01/2021, às 19h).
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