
O apresentador de televisão Silvio Santos entrou na disputa pela presidência do Brasil, em 1989, faltando apenas 12 dias para a votação, mas o TSE barrou a sua candidatura. Foto: Reprodução
Em 1989, no mesmo dia 9 de novembro em que o mundo presenciava a queda do muro de Berlim, o Tribunal Superior Eleitoral, no Brasil, barrava por unanimidade a candidatura do apresentador de televião Silvio Santos para concorrer à presidência da República. Até aquele momento, era o candidato com maiores chances para ganhar as eleições. O TSE decidiu haver uma falha no registro do partido de Silvio Santos e, por esse detalhe, o partido não poderia existir, embora estivesse com um candidato, que o apresentador iria substituir, fazendo campanha normalmente. Não havendo partido, não havia candidato. Um economista ainda desconhecido na política foi o principal articulador para que isso ocorresse: Eduardo Cunha, que anos mais tarde se tornaria presidente da Câmara.
Essa é apenas uma das informações que o ex-senador, ex-deputado e agora presidente do Partido Social Cristão, Marcondes Gadelha narra no livro “Sonho Sequestrado – Silvio Santos e a campanha presidencial de 1989” (Matrix Editora, 200 págs, R$ 42). Para Gadelha, que concorreu à vice-presidência na chapa de Silvio Santos, a versão de que o Partido Municipalista Brasileiro (PMB) não cumpriu determinadas exigências legais foi, na verdade, uma conspiração para impedir a candidatura do apresentador – que seria imbatível nas urnas. E havia um pacto em torno de Collor, segundo Gadelha. Silvio entrou na disputa faltando apenas 12 dias para a votação.

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Sem esperanças de que Aureliano Chaves, o candidato de seu partido (PFL – atual DEM) pudesse mudar o cenário que já parecia encaminhado – um segundo turno entre Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva –, os então senadores Marcondes Gadelha, Edison Lobão e Hugo Napoleão articularam a ideia de lançar a candidatura de Silvio Santos para presidente.
Numa conversa, Aureliano concordou com a iniciativa. Tudo parecia acertado para Silvio sair candidato pelo PFL, mas algumas horas depois, o quadro inexplicavelmente mudou: Aureliano Chaves havia mudado de ideia. A correria por um partido terminou após uma conversa com Armando Corrêa, candidato pelo PMB, que concordou em ceder seu posto.
Como foi lançada cerca de duas semanas antes do primeiro turno das eleições, não era mais possível colocar o nome de Silvio Santos na cédula, porque já havia sido impressa. Em mais um dos muitos fatos inusitados dessa campanha, era preciso fazer com que o eleitor compreendesse que, para votar no apresentador, teria que marcar o nome de Armando Corrêa na cédula.
São essas algumas das histórias que o leitor encontrará no livro de Marcondes Gadelha que, por ter estado diretamente envolvido no pleito, tem informações privilegiadas de bastidores. Gadelha é médico e foi eleito diversas vezes ao cargo de deputado federal. Também exerceu o cargo de senador da República e é hoje o presidente do Partido Social Cristão (PSC). Concorreu à vice-presidência na chapa de Silvio Santos, em 1989, pelo PMB.
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