11/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Terceira fase da Sangria mira em funcionários do alto escalão envolvidos na compra de respiradores na pandemia

Publicado em 30 de novembro, 2020

Terceira fase da Sangria mira em funcionários do alto escalão envolvidos na compra de respiradores na pandemia

Terceira fase da Sangria mira em funcionários do alto escalão envolvidos na compra de respiradores na pandemia. Fotos: Divulgação

A Polícia Federal (PF) no Amazonas deflagrou, na manhã desta segunda-feira (30/11), a terceira fase da Operação Sangria, por meio da qual são investigados fatos relacionados a possíveis práticas de crimes como pertencimento a organização criminosa, fraude a licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro.

Terceira fase

A ação da Polícia Federal visa a cumprir quatro mandados judiciais de busca e apreensão, expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Todos os mandados estão sendo cumpridos na cidade de Manaus.

Um dos alvos foi o chefe da Casa Militar do Estado, coronel PM Fabiano Bó. Os agentes foram até casa dele e à sede da secretaria, que fica na sede do Governo do Estado. Os policiais deixaram a casa do secretário por volta das 8h10. Ele não foi preso.

Outro alvo foi outro subsecretário da SES, de Assistência do Interior, Cássio Roberto do Espírito Santo.

Entenda

A partir dos elementos de prova angariados após o cumprimento dos mandados judiciais das fases anteriores, identificou-se que funcionários do alto escalão da Secretaria de Saúde do Amazonas direcionaram, em favor de uma empresa investigada, a licitação cujo objeto seria a aquisição de respiradores pulmonares, sob orientação da cúpula do Governo do Estado.

Antes da abertura da referida licitação, a empresa investigada adquiriu parte dos respiradores pulmonares em outro Estado da Federação. Em ato contínuo, o próprio Governo do Amazonas trouxe, mediante transporte aéreo, os equipamentos adquiridos pela empresa, custeando o frete.

Respiradores

Com a chegada dos respiradores pulmonares em Manaus/AM, a empresa investigada, mediante acerto, repassou-os à empresa comercializadora de vinhos. Em seguida, houve a adjudicação da dispensa de licitação fraudulenta em favor da empresa distribuidora de bebidas, a qual entregou os produtos que a empresa investigada já tinha adquirido de fornecedores e o próprio Governo do Amazonas os transportou para Manaus no dia anterior à contratação da empresa de vinhos.

As triangulações realizadas entre as empresas investigadas, bem como o fretamento aéreo dos respiradores pulmonares custeado pelo Governo do Amazonas, aumentaram a margem de lucro ilícita dos investigados. Destaca-se que o Edital de dispensa de licitação é explícito que tais custos deveriam ficar a cargo da empresa contratada, e não do Governo.

Crimes

Os indiciados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de fraude à licitação, peculato, pertencimento a organização criminosa e lavagem de dinheiro. Se condenados, poderão cumprir pena de até 30 anos de reclusão.

O nome da operação Sangria é uma alusão às suspeitas de que uma revendedora de vinhos tenha sido utilizada para desviar recursos públicos que deveriam ser destinados ao sistema de saúde.

Foto: Divulgação

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