* Gilson Gil
Em 1986, o diretor Chico Botelho lançou o filme “Cidade Oculta”, que seria o primeiro “filme dark” do Brasil. Estrelado por Carla Camuratti e Arrigo Barnabé, o filme marcou a cultura dos anos 80 por seu estilo “noir”, abertamente inspirado nos quadrinhos de Will Eisner.
Porém, nossa eleição mostrou outra cidade oculta: Manaus. A campanha à prefeitura de 2020 exibiu tal faceta: não discutir a cidade. Os candidatos se mostraram mais preocupados em manter certas imagens (experiente, veloz, ágil, inteligente, violento, renovador, cortador de gastos, violento com os marginais, envolvido com a saúde pública etc.) ou em construí-las do que em debater Manaus.
Não tocaram, com a honrosa exceção de Chico Preto, nos programas existentes da Prefeitura, nem para criticá-los nem para apoiá-los. Mesmo o candidato chapa branca – Alfredo Nascimento – evitou falar da atual gestão, preferindo lembrar de suas obras, como Expresso ou as Casinhas da Saúde.
Amazonino, David, Nicolau e Zé Ricardo (os quatro primeiros nas pesquisas), literalmente, discursaram no abstrato. Não falam de Manaus, de números, do orçamento em queda, dos serviços públicos, da gestão de Arthur Neto, dos programas já existentes ou da situação da capital em relação ao Amazonas. Preferiram mostrar suas imagens, mostrar imagens e slogans “fofinhos”, exibir habilidades tecnológicas ou seus sentimentos humanitários. Em momento algum citaram o caixa da Prefeitura, o quanto o prefeito atual vai deixar de recursos, a capacidade de endividamento do Município, a continuidade, ou não, das inúmeras obras existentes, assim por diante.
A partir de segunda, vamos para o 2º Turno sem saber o que os líderes das pesquisas pensam sobre Manaus e a atual gestão. O que acham de programas como o Cidade Inteligente ou as Startups, que consomem milhões e vão ser entregues inacabados. O que esses candidatos pensam da mobilidade urbana? Concordam com as reformas das paradas? Vão tentar criar soluções inovadoras? Com que dinheiro, pois não falam do orçamento?! Enfim, são pontos a serem pensados. É torcer para Manaus entrar em campo e deixar de ser uma cidade oculta para seus futuros gestores.
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