04/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Presos na segunda fase da Sangria vão para presídio e PF segue com investigações

Publicado em 08 de outubro, 2020

Presos na segunda fase da Sangria vão para presídio e PF segue com investigações

Presos na segunda fase da Sangria vão para presídio e PF segue com investigações. Foto: Reprodução

O delegado da Polícia Federal Henrique Albergaria Silva informou nesta quinta-feira (8) que os presos da segunda fase da Operação Sangria deverão ser encaminhados ao sistema prisional do Amazonas, mas não precisou para qual presídio seriam enviados. Antes, devem passar pelo Instituto Médico Legal (IML) para os exames de praxe.

A PF no Amazonas deflagrou, com apoio do Ministério Público Federal e da Controladoria-Geral da União, a segunda fase da Operação Sangria, por meio da qual são investigados fatos relacionados a possíveis práticas de crimes, como pertencimento a organização criminosa, fraude à licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro.

Presos na segunda fase

A ação da Polícia Federal visava cumprir 14 mandados judiciais expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), dos quais 9  são de busca e apreensão e 5 de prisão temporária, todos cumpridos na cidade de Manaus.

Foram feitas buscas na casa da ex-secretária de Comunicação do Amazonas Daniela Assayag, e entre os mandados de prisão estão o esposo de Daniela, Luiz Carlos Avelino, que é médico, o ex-secretário de Saúde, Rodrigo Tobias, a secretaria executiva de Atenção Especial à Saúde, Dayana Mejia de Souza, o gerente da secretária de Saúde, Ronaldo Gonçalo Caldas Santos, e o empresário Gutemberg Alencar.

Na primeira fase da operação, verificou-se que uma empresa comercializadora de vinhos, utilizando-se de empréstimo de dinheiro, adquiriu de uma empresa local os respiradores pulmonares. Em seguida, revendeu-os ao Estado do Amazonas com preço superfaturado. Já o dinheiro recebido pelo Governo do Amazonas foi remetido ao exterior, para uma empresa aparentemente de fachada.

Operação

“Todos os mandados de prisão foram cumpridos e a operação ainda está em curso. Foram feitas buscas no gabinete do vice-governador Carlos Almeida. Ao longo das investigações foi constatado que o vice-governador tem grande ingerência e influência nos atos praticados pela Secretaria de Saúde. A forma como era a atuação dele ainda está sendo apurada”, falou o delegado.

Ronaldo Santos está sendo investigado por lavagem de dinheiro, fraude de licitação, peculato e organização criminosa. “A partir da análise dos materiais apreendidos na primeira fase, foram constatados indícios de participação de outros servidores públicos e outros empresários no esquema criminoso”, afirmou Albergaria

Conforme a investigação, a PF identificou indícios, inclusive a partir de uma cooperação policial internacional por meio da Interpol, que a empresa citada é de “fato de fachada, na medida que o endereço é residencial”. “Tudo foi montado a partir da proposta da empresa que foi efetivamente contratada. Em outros termos, muito embora os respiradores da empresa não tivessem especificações técnicas requeridas no certame, o procedimento foi todo montado afim de viabilizar e legalizar a contratação da mesma empresa”.

Triangulação

Nessa triangulação, o envolvimento do empresário Gutemberg Alencar foi identificado como articulador. Conforme a PF, ele era o verdadeiro elo entre a cúpula do governo e secretário com a empresa. O delegado não confirmou se ele foi o homem enviado pelo governador. “Wilson Lima não é alvo da investigação, porém está sendo investigado”, disse.

Quanto ao médico e esposo da ex-secretária Daniela Assayag, Luiz Avelino, a Polícia Federal mostra que ele é sócio de uma empresa e que há indícios de que parte do lucro obtido com a venda dos respiradores foi usada na compra de testes rápidos de Covid-19 para posterior venda ao Governo do Estado.

A partir dos elementos de prova angariados após o cumprimento dos mandados judiciais na primeira fase, identificou-se que mais funcionários do alto escalão da Secretaria de Saúde do Amazonas também participaram do processo de contratação fraudulenta para favorecer grupo de empresários locais, sob orientação da cúpula do Governo do Estado.

Respiradores

Há indícios de que a aquisição destes respiradores pulmonares seria apenas o início de outros esquemas de compra de equipamentos que seriam realizados durante a pandemia, na medida em que, na primeira fase ostensiva, foram apreendidas consideráveis propostas de preços de respiradores pulmonares de diferentes empresas na posse de apenas um empresário, sem razões aparentes.

Os indiciados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de fraude à licitação, peculato, pertencimento a organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Se condenados, poderão cumprir pena de até 30 anos de reclusão. O nome da operação é uma alusão às suspeitas de que uma revendedora de vinhos tenha sido utilizada para desviar recursos públicos que deveriam ser destinados ao sistema de saúde.

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