07/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

TSE e AGU firmam acordo de boas práticas sobre IA nas Eleições 2026

Publicado em 04 de agosto, 2026

TSE e AGU firmam acordo de boas práticas sobre IA nas Eleições 2026

Termo de cooperação foi assinado nesta segunda-feira (3) pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques (Foto: Luiz Roberto)

Em iniciativa voltada à proteção do processo democrático, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Advocacia-Geral da União (AGU) firmaram acordo de cooperação técnica para regulamentar e fiscalizar o uso de inteligência artificial (IA) nas campanhas eleitorais. A medida busca prevenir abusos, combater a desinformação e preservar a integridade das Eleições 2026.

O termo foi assinado nesta segunda-feira (3) pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques; pelo advogado-geral da União, ministro Jorge Messias; e pelo presidente do Observatório da Democracia da AGU, ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski.

“Vivemos uma época em que a produção e a circulação de informações ocorrem em velocidades escala sem precedentes. Se por um lado, essa realidade amplia o acesso ao conhecimento e fortalece a participação cidadã, o excesso de informações muitas vezes desprovidas de critérios de confiabilidade, contextualização ou verificação pode favorecer a disseminação da desinformação e prejudicar o exercício livre e consciente do voto”, afirmou o ministro Nunes Marques.

O principal resultado da parceria será a elaboração de um guia de boas práticas com orientações para partidos, candidatas e candidatos, plataformas digitais, órgãos públicos e sociedade civil. O documento reunirá diretrizes para reduzir riscos relacionados à desinformação sintética, como o uso de deepfakes, à automação ilícita e ao microdirecionamento de conteúdos manipulados.

Isenção político-partidária

O acordo estabelece regras de governança para assegurar a total independência do material produzido. As ações conjuntas deverão observar os princípios da estrita neutralidade institucional e da isenção político-partidária.

O guia deverá manter rigor técnico e pluralidade de visões, sendo expressamente proibida qualquer menção, imagem ou símbolo que possa ser interpretado como promoção pessoal de autoridades ou propaganda eleitoral disfarçada.

“A inteligência artificial usada para o mal sobretudo na época das eleições, empregadas para influir na vontade soberana do eleitor, distorcendo-a para um ou outro lado e sobretudo com o auxílio dos robôs, multiplicando, portanto, replicando-o de modo quase que indefinido essas informações distorcidas afetam evidentemente sobremaneira a vontade do reitor”, frisou Lewandowski.

O cronograma prevê a formalização do grupo de trabalho em até 30 dias. Depois, a minuta elaborada pelo Observatório da Democracia será revisada pelas equipes técnicas em 40 dias e, após o período de consulta pública, a versão final do guia deverá ser publicada em até 45 dias.

A coordenação dos trabalhos ficará a cargo do secretário-geral da Presidência do TSE, Murilo Salmito Nolêto, e do advogado-geral da União adjunto, Paulo Ronaldo Ceo de Carvalho.

Intercâmbio científico

Além do manual prático, o intercâmbio científico entre o TSE e a AGU também prevê a realização de cursos, oficinas, workshops e seminários voltados à integridade da informação, cidadania e combate à violência política.

“É muito importante que nós ofereçamos à sociedade a boa informação, a informação de qualidade para que o eleitor possa tomar a sua decisão de forma livre e desimpedida. E o guia de boas práticas e inteligência artificial oferece ferramentas e instrumentos a partir de uma compreensão simplificada do uso de uma ferramenta extremamente importante”, salientou o ministro Jorge Messias.

Os direitos intelectuais sobre o guia e os estudos produzidos serão compartilhados entre o TSE e a AGU. O material poderá ser reproduzido para fins educacionais e de conscientização pública, mas sua exploração comercial ou uso político-partidário dependerá de autorização prévia das duas instituições.

O acordo terá vigência de 12 meses, não prevê transferência de recursos entre os órgãos e estabelece que cada instituição será responsável por seus próprios custos operacionais.

Veja a Cartilha de Boas Práticas Inteligência Artificial. 

TSE Notícias

Veja mais notícias em Política

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.