20/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

O fantasma da Gripe Espanhola

Publicado em 23 de setembro, 2020

Pastor Francimar Soares*

Não é nome de filme de terror. A pandemia do coronavírus é terror real. O nosso contexto fica mais agravado porque o número de infectados continua crescente. No Brasil somos mais de 4,5 milhões de infectados e mais de 136 mil mortos. No Amazonas, são mais de 130 mil infectados e mais de 3,950 mil mortos. Números, alarmantemente, vergonhosos.

As previsões dos epidemiologistas, para uma segunda onda, são aterradoras e confusas. Uns dizem que a tempestade já passou e outros que tem novas nuvens se formando no horizonte. Alguns pensam que o pior ficou para trás. E outros que as medidas restritivas devem ser retomadas de imediato.

O mercado financeiro continua indeciso e temeroso. Há muita cautela nos investidores. O grande número de empresas falidas e o desemprego se tornaram uma pandemia à parte. Isso se dá pelo medo. Historicamente, a segunda onda da Gripe Espanhola matou mais do que a primeira. Estamos sendo assombrados por fantasmas que já deixaram marcas profundas em nosso passado e devastadoras em nosso presente. Além disso, profecias bíblicas apontam para dias bem piores do que os atuais.

 

Coronavírus versus Gripe Espanhola

Quando comparamos os danos causados pela pandemia do coronavírus (2020) com a da Gripe Espanhola (1918/1919), guardando-se as devidas proporções, temos muitas lições para aprender. São impressionantes as semelhanças. Isso nos leva a crer que podemos aprender com a história, com a ciência, com a política e com os ensinos bíblicos. E é para isso que chamo a sua atenção.

 

As lições da História

Falando especificamente do Amazonas, o Sistema Público de Saúde e o serviço funerário, da época, também entraram em colapso. Faltou remédio, a população foi explorada por comerciantes aproveitadores. Foi um pandemônio. Há relatos de famílias deixando corpos debaixo de mangueiras; caminhões recolhendo cadáveres nas ruas; corpos de indigentes em estado avançado de decomposição chegando ao cemitério São João Batista; sepultamentos em vala comum e famílias sem nenhum apoio religioso.

Os resultados oficiais foram desalentadores. Mais de 9 mil infectados, e 858  mortos (fora os sepultados sem registro em cemitérios da periferia). Parece pouco, mas a população de Manaus era de, aproximadamente, 30 mil habitantes. Isso significa que em torno de 30% da população foi acometida pela influenza. No Brasil, 65% das pessoas foram contaminadas e as mortes no País somaram 35 mil.

Os registros históricos fazem parte de um relevante artigo, “A desolação, o pavor e o luto” 1:  A história da gripe espanhola em Manaus (1918-1919), de Júlio Santos da Silva e Hidraldo Lima Costa. Um belíssimo trabalho de 16 páginas, apresentado nos Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH – São Paulo, julho 2011. Um material histórico que vale a pena ler e aprender.

Destaca-se a questão da desigualdade social, que é recorrente nas pandemias. É fato que a gripe espanhola e o coronavírus atacaram indiscriminadamente todas as classes sociais. Mas, também é fato, que a assistência médica e o tratamento foram discriminados. É só contar o número de mortos por classe social, e verificar o local dos sepultamentos, para constatar a discrepância. Os ricos morrem no varejo, mas os pobres morrem no atacado. Os ricos foram sepultados em jazigos familiares, os pobres em vala comum. Como vamos justificar essa desigualdade diante de Deus no dia do Juízo?

 

As lições da ciência

Assim como o coronavírus, a Gripe Espanhola chegou com tanta velocidade e violência a Manaus que causou espanto no Comitê Médico. Quando tomaram ciência da iminência de serem atacados pelo vírus mortal, criaram uma barreira de contenção, que, facilmente, foi vencida pela pandemia. Muito semelhante ao ocorrido nesses dias.

Fomos invadidos por um inimigo tão rápido e violento, que não sabíamos onde guardar os corpos. Agimos muito mais por opinião do que pela ciência. Morreu tanta gente, num período tão curto, que não deu tempo de diagnosticar com precisão a causa mortis. Muitos contaminados dentro dos hospitais, funerárias e no próprio cemitério.

Dentre as medidas implementadas para contenção, destaca-se: “Evitar apertos de mão; evitar beijos nas mãos e nas faces; coibir-se de beber fora de casa; fugir de agrupamentos (teatros, igrejas, cinemas, reuniões familiares, colégios etc); evitar os desvios dos regimes e excessos de qualquer natureza; evitar levar as mãos à boca, nariz e ouvidos; não usar as escovas das barbearias, somente as destinadas ao bigode; desinfetar as mãos o maior número de vezes possível, principalmente antes das refeições; não tocar em objetos suspeitos; desinfetar a boca e o nariz pela manhã e à noite; fugir dos ventiladores (Jornal Gazeta da tarde, 23.10.1918). Registra-se que a população ajudou seguindo as orientações de isolamento social.

 

As lições da política

O Governador do Amazonas, à época da Gripe Espanhola, foi criticado dura e constantemente pela imprensa, acusado de inércia e demora no socorro às vítimas da epidemia. Sentenciavam que a “fome dizimou mais que a influenza espanhola” (Jornal Gazeta da tarde, 25.11.1918). Esse é um relato interessante porque perdura o mesmo sentimento na população atual. Não apenas pela inércia, mas pela incompetência resultante da inexperiência e da esperteza.

Sobre os aproveitadores, relatou-se: “De todos os produtos alimentícios admitidos na dieta da gripe o que tem a maior procura é, incontestavelmente, o leite, quer fresco, quer condensado. Daí a razão porque seus vendedores, aproveitando-se desumanamente do momento, vêm explorando por mil formas a bolsa do povo” (Jornal Gazeta da Tarde, 13.11.1918).

Em nossos dias, o próprio governador foi denunciado por superfaturamento em contratos de instalações hospitalares e equipamentos respiradores. A esperteza se aproveitou da situação, enquanto os profissionais de saúde arriscavam a vida para salvar a população.

Quando foi confirmado o primeiro caso de covid-19 no Amazonas, no dia 13/03, “em coletiva, as autoridades de vigilância e saúde ressaltaram que a rede de assistência, em todos os níveis (básica, média e alta complexidade), está preparada para o atendimento, caso haja pacientes infectados pelo novo vírus”. (http://www.saude.am.gov.br/visualizar-noticia.php?id=4327). Era um grande engano ou uma grande falácia. Não precisou de um mês para provar que estávamos completamente despreparados para essa guerra. Foi um massacre.

Infelizmente, mais uma vez, ficou claro que não se pode confiar nos governantes do Amazonas. Eles dizem o que lhes convém. Quando a pandemia atraia milhões para o Estado, ficar em casa e aterrorizar as pessoas com avalanches de notícias ruins se tornou um grande negócio. Agora, com a situação caótica do comércio e da indústria, não me causaria espanto se maquiassem a verdade para levar a população de volta ao trabalho, mesmo que isso custe mais vidas.

 

As lições das escrituras

A história e as profecias bíblicas nos alertam sobre o que esperar do futuro da terra. Não devíamos ser pegos de surpresa porque tudo já foi antecipado. Eclesiastes 1.9 diz: “O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol”. O próprio Senhor Jesus nos alertou: “… e ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares. Mas todas estas coisas são o princípio de dores” (Mateus 24:5-8).

O livro de Apocalipse registra catástrofes de proporção cósmica que afetarão o nosso planeta profundamente. A terça parte das árvores e toda erva verde será queimada; a terça parte das águas do mar se tornará em sangue e morrerão a terça parte dos seres vivos do mar; a terça parte do sol, da lua e das estrelas não brilhará, tornando o dia semelhante à noite; uma estrela cairá na terra e causará grandes danos: “… e caiu do céu uma grande estrela ardendo como uma tocha, e caiu sobre a terça parte dos rios, e sobre as fontes das águas. E o nome da estrela era Absinto, e a terça parte das águas tornou-se em absinto, e muitos homens morreram das águas, porque se tornaram amargas” (Apocalipse 8:10,11). E isto é apenas uma pequena demonstração das muitas coisas terríveis que ainda virão. Não há espaço suficiente para se tratar disso agora. Mas fica o alerta.

Guerras, pestes e fomes estão profetizadas nas Escrituras, e se intensificarão quanto mais se aproximar os dias do fim. E todos nós fazemos bem se nos apropriamos desse conhecimento bíblico para sabermos como proceder, e ensinar aos outros o que fazer quando tudo isso acontecer. A Gripe Espanhola e a pandemia do coronavírus servem para nos ensinar que as verdades bíblicas devem ser observadas e nos motivar a buscar a Deus, enquanto há tempo para isso.

Com todos os registros históricos, científicos, políticos e bíblicos, o que mais me chama a atenção é a postura dos líderes religiosos de nossa época. Deveríamos conhecer essas verdades e alertar as pessoas da igreja e a população. Deveríamos correr riscos para proteger o povo. Mas, ao que parece, alguns estão mais preocupados com números e com numerários do que com o bem-estar das pessoas. Só nos resta orar para que aconteça um verdadeiro despertamento espiritual e o povo de Deus esteja preparado para enfrentar os dias do fim.

Que o Senhor Jesus te livre desse fantasma atual e da realidade que espera a humanidade nos últimos dias.

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Autor
Pastor Francimar Soares

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