As perguntas que têm surgido com frequência: Como será a vida pós quarentena? Quanto tempo a pandemia vai durar? Será que conseguirei retomar minhas atividades normalmente?
A verdade é que esses questionamentos são pertinentes, visto que vivemos nos últimos meses um momento nunca visto antes na história. Podemos comparar o COVID-19 com a crise espanhola (1918) ou outros momentos trágicos vividos pela humanidade, mas ainda sim esse momento não perde a sua unicidade.
Afinal, o que difere esse momento de outras crises vividas? Além de afetar a saúde física e emocional, a política, o comportamento social, a economia, vivemos o avanço tecnológico que permite estarmos mais conectados, mesmo que virtualmente. Com isso, as notícias avançam numa velocidade única, trazendo ansiedade para o homem contemporâneo que passa a temer ainda mais o futuro pela imprevisibilidade dele.
O futuro nunca esteve sob nosso controle, mas o homem podia gerir e criar previsões em diversas áreas: negócios, economia, etc. Agora a ausência de controle toma conta e a ansiedade ganha força, visto que é a doença que teme o amanhã. A ansiedade é a doença que catastrofiza o futuro, tornando-o muito mais tenebroso do que pode vir a ser. Estudos relatam que 95% dos nossos pensamentos são especulações, perdemos muito tempo com a preocupação, eu diria “pré-ocupação”, que difere do planejamento.
Enquanto planejar permite criar estratégias para alcançar um resultado futuro, a preocupação alimenta pensamentos negativos e um looping de ideias de ruína que paralisam o homem.
A Pandemia traz adaptações de comportamento para que possamos garantir a nossa sobrevivência: o uso de máscaras, álcool em gel, isolamento, distanciamento social… mas tudo isso está longe de nos levar a um “Novo Normal”. O homem é um ser social, se retroalimenta da conexão com outras pessoas e é a partir daí que a sociedade cria, inova e se fortalece. Quando tudo isso passar teremos um aumento de patologias: Depressão, Transtorno de Ansiedade Generalizada, TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo, Depressão, Estresse, entre outros, haja visto o aumento nos consultórios psiquiátricos e de psicologia e posso falar por experiência em meu consultório. É importante ressaltar que aqueles que buscarem logo ajuda e tratamento para virar a chave na sua mente, reconhecer o momento e aceitá-lo com as precauções prudentes, retomará a vida que levava, com liberdade, leveza e produtividade.
Esse momento certamente requer cautela, mas logo que tudo passar voltaremos a nos conectar. Nesse momento o medo da aproximação e do contato é pertinente, aos poucos, com a redução de casos, vacina e avanços nas pesquisas sobre a doença, voltaremos a nos sentir confortáveis.
Viveremos um momento de dessensibilização sistemática. Agora todos estão sensíveis, assim como quando a doença surgiu, por ser algo novo, desconhecido e por isso assustador. Com o passar dos dias a sensibilidade vai reduzindo sistematicamente e sairemos novamente da base da pirâmide de Maslow, já não mais preocupados com a sobrevivência, mas sim com os avanços na vida profissional, econômica, amorosa e a busca pela realização pessoal.
O que ficará é a história, as perdes que alguns sofreram, seja de pessoas queridas ou outras perdas de cunho material e de planos pessoais.
Veja mais notícias em Colunas
Mayara Cansanção é psicóloga, especialista em Mindfulness, Programação Neurolinguistica e Coachin...