O ativista, músico e luthier Rubens Gomes, 60, morreu na quinta-feira (28/5), por volta das 23h, vítima de uma parada cardiorrespiratória. Rubão, como era popularmente conhecido, foi o fundador da Oficina Escola de Lutheria da Amazônia (Oela), criada em 1998, para ajudar jovens em situação de vulnerabilidade social, do bairro Zumbi dos Palmares, na Zona Leste.
O velório está sendo realizado nesta sexta-feira, na sede da OELA, localizada na Rua 22. Qd O. Conj São Cristóvão, Bairro Zumbi 2, Zona Leste de Manaus.
Ao longo de mais de 20 anos, a Oela, além de formar, aproximadamente, 2.300 alunos, no ofício de luthier, passou a se dedicar as causas ambientais, transformando-se na primeira lutheria do mundo a trabalhar com madeiras amazônicas, certificadas com o selo FSC (Forest Stewardship Council) de cadeia de custódia, que acompanha todo o processo de beneficiamento da madeira.
Ampliando a sua atuação junto às comunidades carentes, Rubão buscou parcerias que fizeram com que a OELA também passasse a atuar na área educacional, entre elas o Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam) e o coletivo Coca-Cola. A organização oferece cursos de informática, preparação para o mercado de trabalho, curso de Libras entre outros.
Além da atuação no Amazonas, Rubens fez com que a OELA expandisse as fronteiras, com um projeto no arquipélago do Bailique, no Amapá, trabalhando junto as comunidades daquela região, com a produção do açaí, de uma maneira sustentável, gerando oportunidade de renda para a comunidade.
A organização também passando a atuar com o projeto Esporte Educacional e Sustentabilidade (ESS), patrocinado pela Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental, oferecendo práticas esportivas como taekwondo, remo e esportes coletivos, além de educação socioambiental para crianças e adolescentes do bairro Mauazinho, Zona Leste.
Em 16 de novembro de 2018, Rubens Gomes foi submetido a um transplante pulmonar na cidade de Porto Alegre (RS), e passou por um longo processo de recuperação, chegando a ficar um ano e oito meses distante de Manaus, para cumprir o Tratamento Fora de Domicílio (TFD).
Mesmo com todas as complicações de saúde, Rubens retomou o curso de luteria em 2019, após dois anos de paralisação das atividades. O novo projeto retornou com apoio da Brazil Foundation e patrocínio do Banco da Amazônia (Basa).
Por conta do projeto social voltado ao ensino da lutheria, a OELA se tornou uma organização conhecida em todo o mundo, pelo trabalho social e também pela luta pela preservação do meio ambiente, conquistando vários prêmios por sua atuação.
Em 2009, em visita a Amazônia, o herdeiro do trono britânico, o príncipe Charles de Gales, esteve em Manaus e conheceu pessoalmente o projeto.
Rubens deixa a viúva Jessica Santos, que é coordenadora geral de projetos da OELA. Ele não tinha filhos.
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