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Jornalista responsável: Marcos Santos

Prefeito de Manaus debate enfrentamento ao coronavírus com prefeitos americanos

Publicado em 27 de maio, 2020

Prefeito de Manaus debate enfrentamento ao coronavírus com prefeitos americanos

Prefeito de Manaus debate enfrentamento ao coronavírus com prefeitos americanos. Foto: Semcom

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, participou na manhã desta quarta-feira, 27/5, de uma reunião virtual com o prefeito de Miami, Francis Suarez, e o vice-prefeito de Segurança Pública de Los Angeles, Jeff Gorrel, para trocar experiências sobre o combate à Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus.

O encontro foi promovido pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP) e mediado pelo prefeito de Vitória, Luciano Rezende, vice-presidente de Relações Internacionais da FNP.

Prefeito de Manaus

Eles debateram sobre as medidas adotadas durante a pandemia, as relações com os demais entes federativos, a influência dos processos eleitorais e o que o futuro reserva a esses municípios, suas economias e populações.

“Eu não estou convencido de que reabertura das atividades econômicas sejam benéficas neste momento. O governador [do Amazonas, Wilson Lima] propõe a reabertura a partir de 1º de junho, mas eu considero uma decisão prematura. Não houve preparação para isso”, afirmou o prefeito, que teme uma retomada na curva de contágio em proporções maiores e mais letais em todo o Estado, com reflexos muito negativos para Manaus.

“Se fosse uma realidade isolada, eu diria que Manaus está controlada. Mas não é. O interior é desvalido, não tem estrutura. E tem as populações tradicionais, como os povos indígenas. Então, temo que, em Manaus, soframos uma segunda onda, que poderia ser muito mais grave que a primeira”, reforçou. “No momento, vivemos uma contradição: o número de mortes caiu, mas o número de pessoas infectadas aumentou”, frisou.

Cidades

As três cidades representadas na conferência coincidem em ter apresentado números grandes de infectados e de mortalidade e de terem adotados medidas rígidas para o isolamento social.

“Tivemos que adotar medidas drásticas, criar a cultura do isolamento. Fechamos escolas, comércio, convencemos as pessoas que era necessário ficar em casa, que era necessário usar máscaras”, disse Gorrel, cuja cidade – Los Angeles – é um destino turístico importante. O mesmo ocorre com a cidade de Miami, cujo fluxo de turistas é de 15 milhões de pessoas, três vezes mais que a população de todo o Estado da Flórida.

Isolamento social

Arthur Virgílio, como os demais prefeitos, defendeu que o isolamento social é a principal medida no combate à Covid-19 e lamentou a falta de entrosamento entre os entes governamentais para combater a pandemia. Ele voltou a fazer críticas ao presidente Jair Bolsonaro, que adota “uma pregação incessante contra o isolamento social, minimizando a Covid-19 como uma gripezinha”, citou.

Embora os prefeitos das cidades americanas também tenham afirmado que houve uma “mensagem truncada” vindo da Casa Branca, eles listaram uma série de ajudas financeiras para o enfrentamento da pandemia. “Aqui, tivemos uma reunião com o Ministério da Saúde e foi sinalizado uma verba para ajudar Estados e municípios, e até agora, nada”, afirmou o prefeito de Manaus.

Processos eleitorais

Outro ponto do debate foi sobre a influência dos processos eleitorais no enfrentamento da pandemia. Nos Estados Unidos, este ano será realizada a eleição presidencial, enquanto no Brasil, serão realizadas as eleições para a escolha dos mais de 5,5 mil prefeitos municipais. O TSE e o Congresso Nacional avaliam a possibilidade de adiar a data das eleições, mas não há, até o momento, a possibilidade de estender os atuais mandatos.

Os prefeitos americanos temem que os reforços financeiros destinados à recuperação das economias locais pós-pandemia venham contaminados pelas cores partidárias. O mesmo que pode ocorrer no Brasil, com municípios “amigos” sendo privilegiados e os adversários relegados.

“O governo Central não está se preocupando tanto com destino das pessoas. Nós tivemos uma queda de 5% a 7% do PIB e não sei o que será no próximo ano. Eu tenho pena dos próximos prefeitos, porque eles pegarão uma severa recessão, seguida de uma outra que durou 30 meses”, advertiu Arthur Virgílio.

Voos restritos

Quanto à restrição de voos entre os países de maior contágio, como Brasil e Estados Unidos, o prefeito de Miami defendeu que “todos se beneficiam se impedirmos voos entre pontos com muita Covid-19. Além disso, é temporário e nos permite focarmos somente nas questões internas sem termos que nos preocupar também com as externas. É uma via de mão dupla”, avaliou Francis Suarez.

Em sua mensagem final, Jeff Gorrel foi enfático. “Quem tem o poder para resolver essa situação é o povo, fazendo o isolamento, usando as máscaras. Se as pessoas entenderem isso sairemos dessa situação. Mas, se não entenderem, será necessário voltar às regras rígidas e a retomada da normalidade vai demorar ainda mais”, concluiu.

Para Arthur Virgílio, é preciso cautela. “É uma ilusão achar que reabrir a economia vai gerar emprego. O que vai acontecer, se não houver cautela, é mais pessoas doentes e uma segunda onda de casos”, encerrou.

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