O ex-ministro Sergio Moro ficou mais de 8 horas prestando depoimento, neste sábado, sobre as acusações feitas contra o presidente Jair Bolsonaro ao deixar o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Entre outras denúncias, ele acusou o presidente de interferência no comando da Polícia Federal.
Moro chegou por volta das 13h15 à sede da superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, num veículo da polícia, que entrou pelo portão dos fundos do edifício. O depoimento do ex-ministro começou por volta de 14h30 e só terminou às 22h40. O ex-ministro reiterou acusações e entregou novas provas contra Jair Bolsonaro.
O ex-ministro foi acompanhado de seu advogado, Rodrigo Sánchez Rios. Sánchez já atuou na defesa do ex-deputado Eduardo Cunha e do empresário Marcelo Odebrecht no âmbito da operação Lava Jato – da qual o ex-juiz era encarregado de julgar os processos quando titular da 13ª Vara Federal de Curitiba.
O depoimento de Moro foi determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello, que supervisiona as investigações. O inquérito aberto pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, investiga o teor do discurso de Moro ao se despedir do cargo de ministro da Justiça, no dia 24 de abril, quando acusou Bolsonaro de tentar interferir indevidamente na PF.
Celso de Mello antecipou o depoimento de Sergio Moro após analisar pedido de parlamentares de partidos da oposição. Inicialmente, o prazo dado pelo ministro era de 60 dias. A oitiva será a primeira medida tomada no inquérito aberto para apurar suposta tentativa de interferência na PF ou crime de denunciação caluniosa.
Durante a manhã, em frente ao prédio da PF, grupos faziam manifestações em apoio ao ex-juiz da Lava Jato e outros a favor de Bolsonaro. Somente no final da tarde, os manifestantes começaram a se dispersar e apenas um pequeno grupo permaneceu próximo à entrada da PF.
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