
Profissionais contam as mudanças e adaptação ao trabalho home office durante a quarentena. Foto: Divulgação
Com o início da pandemia de Covid-19, comércios e a maior parte do serviço público tiveram que se adaptar à quarentena e os funcionários passaram a trabalhar na modalidade home office. Na capital do Amazonas, não é diferente.
No entanto, assim como há o lado bom de trabalhar de casa, há também fator negativo do teletrabalho para quem não estava acostumado à nova rotina. Para a professora e pedagoga da rede municipal Marcella Souza, 29, com a suspensão das aulas presenciais e a adoção da modalidade on-line, surgiu um novo desafio.
“Sabemos que trabalhar em casa é uma das alternativas para evitar aglomerações e diminuir o contágio do novo coronavírus. Sendo assim, nossa adaptação a essa nova maneira de trabalhar precisa ser rápida, para tentar minimizar ao máximo o prejuízo no aprendizado aos nossos alunos. Não tem sido fácil ministrar aulas, tirar dúvidas, atender aos pais e tudo isso mediante aos mais variados apps de comunicação”, afirma a profissional.
Para a professora, o lado bom e ruim do home office é quase a mesma coisa. O primeiro é estar conseguindo alcançar quase 100% dos alunos, e o negativo está nesse “quase”, pois há alunos que não possuem TV em casa, celular, ou tem apenas um aparelho para a família toda, além daqueles em que a direção escolar não conseguiu contato com os familiares.
“Ser professor em meio a essa pandemia nos obrigou a assumir funções jamais desempenhadas, nos levou a gravar vídeoaulas, nos levou a corrigir atividades pela tela do celular, pela tela do computador, de repente nossa sala de aula se transformou em grupos de apps. Tudo isso abruptamente”, declarou Marcella.
Porém, o que mais impactou foi a falta de contato com os alunos. “Poder vê-los de pertinho, poder sanar todas as dúvidas de imediato, podermos desempenhar nosso papel de educador ali, de pertinho. Isso mudou completamente”, disse.
Para o analista de sistema Glaucio Hayden, 35, a adaptação para o home office no início foi difícil. “Onde trabalho já tinha todos os recursos necessários para desenvolver o que preciso de maneira mais eficiente. Em casa não. Tive que realizar ajustes no meu computador, organizar um local e adaptar toda minha rotina”, contou ele.
Para Hayden, a parte boa é não precisar se expor ao trânsito, estresse, e principalmente ao Covid-19. “Em casa, hoje consigo trabalhar e me sentir mais seguro. Para mim, a parte ruim é não ter a interação presencial com os colegas de trabalho. No meu caso, não mudou muito o que eu fazia no presencial e no home office. Acredito que consigo ter um desempenho até maior que anterior à quarentena”, afirmou.
Já o publicitário Ronney Freitas, 23, disse estar gostando de trabalhar de casa. “Antes o tempo de locomoção até o trabalho levava em torno de 1 a 2 horas, e me estressava demais, chegava cansado no trabalho e em casa, mas agora como não tenho esse tempo gasto, parece que o dia se tornou mais produtivo”, relatou.
Atuando como social media, o publicitário diz ter sentido bastante diferença na realização de seu trabalho. “O tempo em casa fez com que eu ficasse mais à vontade com a atividade que desempenhava e me senti mais ’livre’ para a área criativa”, alegou Freitas.
Para a economista Adria Carvalho, 28, trabalhar em home office é desafiador. “Você já está acostumado a seguir uma rotina diariamente dentro de uma corporação, ou seja, tem hora pra iniciar e finalizar suas atividades, em casa geralmente você tem que fazer o seu horário e quando você não tem costume acaba trocando horários, por exemplo a hora de dormir pela hora de trabalho ou vice-versa”, explicou ela.
Como a profissional também atua na gestão de pessoas, ela afirmou que o trabalho ficou mais extenso, “pois é gasto mais tempo com monitorias de execução de atividades de sua equipe, ou seja, quando a equipe está em um só ambiente é mais fácil tirar dúvidas ou resolver problemas que possam surgir em determinada tarefa, e também saber se o funcionário está ou não executando determinada atividade”, alegou ela.
Adria ainda comentou que no home office é difícil o funcionário ter uma estação de trabalho, cadeira confortável ou mesa adequada que propiciem um ambiente adequado.
Para quem já atuava em home office, a quarentena também trouxe mudanças. Para a administradora Taila Sobreira, 24, o trabalho ficou mais tranquilo. “Essa situação que estamos passando afetou diretamente nos negócios, pois, dependo diretamente de pequenos comércios, e com a população em casa e não podendo trabalhar, fica difícil de ter uma demanda de trabalho ‘normal’”, justifica ela.
Porém, mesmo com tudo isso, a profissional diz que trabalhar em casa é muito bom, pois possibilita ficar perto de sua filha e permite fazer sua própria jornada de trabalho. No entanto, ela diz que é necessário impor regras, estabelecer horários, ter um cantinho somente para trabalhar, porque “conciliar casa com trabalho não é uma tarefa muito fácil”.
“Sabemos que isso é para o bem de todos, e creio que logo tudo isso irá passar”, finaliza a profissional.
Reportagem: Fabrinne Guimarães
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