28/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Inacreditável Mundo Novo

Publicado em 05 de abril, 2020

Inacreditável Mundo Novo

Inacreditável Mundo Novo criado sob o rastro do Coronavírus

Quando o romancista inglês Aldous Huxley, em 1932, mostrou ao mundo o seu célebre romance, “Admirável Mundo Novo” ou “Brave New World” (na versão original da língua de Shakespeare), ele publicou mais que um livro sobre um futuro longínquo e pouco provável da humanidade, ele cunhou uma expressão parafraseada por milhares e milhares de pessoas ao longo da história (neste bojo, eu me incluo) que tentam expressar, e/ou entender, as muitas mudanças que passamos ao longo de nossa breve história.

Mas nem o mais talentoso escritor de ficção cientifica de todos os tempos seria capaz de conceber um enredo descrevendo o ano de 2020 como estamos vivendo. Há algum tempo, tal obra, se existisse, estaria ao lado do livro de Huxley nas livrarias e muito provavelmente esse livro seria tratado como só mais uma obra sobre um provável apocalipse terreno.

Infelizmente, hoje, para todos nós, fomos apresentados a um “INACREDITÁVEL MUNDO NOVO”, pois o mundo que conhecemos, assim como, todas as nossas crenças e convicções mais profundas sobre segurança, educação, economia, saúde, liberdade, convivência, trabalho e tantas outras coisas crenças e convicções acabaram, pois tudo, absolutamente tudo mudou.

Desde que começou a pandemia da COVID-19 não só o homem comum, mas homens extremamente letrados e profundos conhecedores de todas as ciências terrenas tentam, sem sucesso, entender o que nos aconteceu esse ano. Hoje não temos liberdade, não podemos trabalhar, estudar, abraçar, nos aproximar, andar nas ruas e tantas outras coisas básicas que, até outro dia, era inimaginável de acontecer e que, abruptamente, nos foi tungado nesses últimos instantes.

Economias em todas as partes do mundo estão ruindo, mesmo as mais sólidas, pois, a força de trabalho que move os mealheiros e os erários estão simplesmente paradas. Dezenas e dezenas de países entraram com pedido de auxilio econômico junto ao Fundo Monetário Internacional na última quinzena de março deste ano, por conta dos reflexos econômicos da pandemia global. Milhões e milhões de pessoas desempregadas e esse número não para de crescer. Outro que só cresce é número de vítimas fatais do Novo Corona Vírus pelo mundo, dizimando cidades e abalando milhões de famílias que nem velar seus mortos podem.

Hospitais apinhados de pessoas que não sabem se irão viver ou morrer, estes mesmos hospitais, por sua vez, estão ainda abarrotados de cadáveres que nem ao menos lhes foi dado o direito a um último encontro com seus entes e amigos.

 

Trancafiados

Nós, que sobramos, fomos trancafiados em casa por um inimigo invisível, mas extremante poderoso e por mais doloroso que nos seja, devemos ficar em casa. Milhares de nós vão falir, perder o emprego e passar por alguns dos piores dias de nossa história e, muito tristemente, muita gente vai sucumbir a este inimigo. Estes serão tempos sombrios, mas acredite, ficar em casa e ajudar a diminuir a curva de infecção é a melhor coisa que podemos fazer.

Absolutamente tudo que conhecemos vai mudar, o jeito que trabalhamos, que estudamos, que interagimos com o mundo e como nos relacionamos com os demais “ENTES NATURAIS”. Nossas convicções mais profundas sobre o mundo que conhecemos será jazida e agrilhoada no mais longe recôndito da nossa memória pois nada mais será como antes. Escolas, faculdades e todos os centros de ensino do mundo terão que aprender sobre “educação remota”. A próxima qualidade laboral essencial a ser requisitada para os que estiverem procurando emprego no pós-pandemia será: “Você sabe fazer isso em teletrabalho?”.

Todos os governos da terra terão que desenvolver protocolos unificados de biossegurança e controles epidemiológicos com gordos orçamentos que incluam tanto a parte da saúde pública quanto reservas para resguardar a economia de outro colapso.

Hoje as celebridades do momento são virologistas, infectologistas e cientistas e os objetos de desejo, de grande parte da população mundial, são máscaras de proteção e álcool em gel.

Nunca crenças tão dadas como certas foram tão confrontadas. Mesmo com o fim da pandemia pouquíssimas pessoas terão coragem, de pronto e imediato, de retomar todos os seus velhos hábitos. O medo social, o risco de uma reinfecção (que não sabemos ainda se é possível, então não podemos descartar), o colapso econômico, a mudança de rotinas, o luto coletivo e o clima de incerteza serão só alguns elementos da amalgama alma humana do homem do pós-COVID-19. Estes serão os tempos do crisol.

Já vi alguns historiadores afirmarem que o século XXI começou com o infame episódio do 11 de setembro, mas hoje eu vos apresento um século XXI reinventado, o “século XXI 2.0”, moldado pelo medo e pela incerteza que nem os delírios de Aldous Huxley poderiam conceber, um século de um “INACREDITÁVEL MUNDO NOVO”.

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Autor
Leonardo Costa

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