
O vice-governador do Amazonas e secretário chefe da Casa Civil, Carlos Almeida. Foto: Tácio Melo/Secom
O governo do Amazonas convocou o Gabinete de Crise da Segurança Pública para acompanhar e combater as ações das facções criminosas que têm provocado tensões em Manaus nos últimos dias, principalmente nesta segunda-feira (10), quando pelo menos quatro pessoas foram executadas em diferentes pontos da capital. Segundo o vice-governador do Amazonas e secretário chefe da Casa Civil, Carlos Almeida, que concedeu entrevista coletiva há pouco, o gabinete é formato por integrantes das forças de segurança do estado e pelo poder judiciário.
“O judiciário, o Ministério Público, a Defensoria, a OAB, que estiveram presentes em reunião mais cedo aqui no CICC [ Centro Integrado de Comando e Controle]”, disse Carlos Almeida, ao ser questionado sobre a composição do grupo de crise.
Conforme o vice-governador, a instalação do gabinete foi uma determinação do governador Wison Lima – que viajou no início desta noite para Brasília. Nesta terça-feira (11), o governador participa de reunião com outros governadores. A principal pauta é relacionada aos tributos estaduais.
Evitando citar os nomes das facções, para não fazer “propaganda”, o vice-governador afirmou que integrantes das duas organizações criminosas envolvidas nos conflitos foram presos, nesta segunda, nas zonas Norte e Sul.
Nesta segunda, o Comando Vermelho do Amazonas (CV-AM) emitiu um “salve”, uma mensagem em mídias sociais, prometendo poupar a vida de quem topar mudar da facção criminosa Família do Norte (FDN) para o CV. A população ficou assustada com os fogos, que chegaram a lembrar a noite de Réveillon. Clique aqui, para entender.
Segundo Carlos Almeida, houve necessidade de instalação do Gabinete de Crise porque foram detectadas recentes alterações no sistema de segurança. O gabinete também está tomando medidas preventivas para resguardar a população. “As medidas que já foram decididas de forma colegiada consistem na presença ostensiva das forças policiais, que já se encontram na rua, em operações que vão se seguir pelos próximos dias até haver a normalização das possíveis alterações que nós estamos detectando”, disse Carlos Almeida.
O vice-governador afirmou, ainda, que a presença das forças de segurança será intensa dentro do sistema prisional, para evitar “alterações”.
Carlos Almeida atribui o conflito entre organizações criminosas ao fato de o governo estar realizando operações ostensivas de combate ao tráfico de drogas deste janeiro de 2019. “A tarefa do Estado do Amazonas é continuar esse trabalho de repressão, mas nós não queremos que a população seja vítima por conta dos desentendimentos com que esses integrantes do crime organizado estejam realizando”, afirmou.
De acordo com o vice-governador, as ações das forças de segurança serão permanentes nos próximos dias, sob a coordenação da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). “A atuação que nós temos das nossas forças é suficiente para debelar esse quadro, mas, caso seja necessário, nenhuma situação que seja de resguardo da população será descartada”, destacou, ao responder sobre um possível pedido de ajudar federal para atuar na questão.
O Gabinete de Crise foi instalado ainda no início da noite, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), da Secretaria de Segurança (SSP-AM). Estiveram presentes representantes de todas as forças de segurança pública estadual, do Tribunal de Justiça (TJAM), Ministério Público (MPE), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AM) e da Defensoria Pública (DPE).
“Reunimos nossos comandantes das forças policiais e demais órgãos importantes nesse processo. Estamos nos antecipando e fazendo tudo que é preciso para resguardar a ordem nos presídios e a integridade da população. O firme combate ao tráfico provoca reações e estamos utilizando todo nosso aparato policial e de inteligência para proteger a população’”, destacou o vice-governador do Amazonas, logo após instalar o Gabinete de Crise.
O secretário executivo de Segurança Pública, coronel Anézio Paiva, relatou que a necessidade de instalação do Gabinete foi identificada a partir dos sinais de desentendimento entre integrantes de facções, identificados pelos serviços de inteligência do Estado: da Secretaria de Inteligência (Seai), Polícia Militar e da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).
No fim de semana, informou o secretário de Administração Penitenciária, coronel Marcus Vinícius, as visitas nos presídios foram suspensas no domingo. “Uma estratégia para resguardar a vida dos visitantes em caso de confronto entre detentos”, disse.
“Nosso monitoramento é contínuo e assim que percebemos novos sinais de possibilidade de conflito, passamos a adotar novas medidas, como isolamento de detentos e a própria suspensão das visitas”. Segundo o secretário, as vistorias também têm sido intensificadas, frequência que também será ampliada.
O comandante da Polícia Militar (PM), coronel Ayrton Norte, afirmou que já nesta noite de segunda-feira, o efetivo da PM foi ampliado em Manaus. “Mantivemos as equipes do dia no turno da noite, para somar esforços. Nosso objetivo é justamente se antecipar e aumentar a segurança à população”, garantiu.
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