
Morre repórter-fotográfico Alexandre Fonseca, vítima de câncer, depois de conquistar o respeito de profissionais consagrados, como os premiados Ricardo Oliveira (esquerda) e Alberto César Araújo (direita)
Fotografia, numa tradução livre, significa “escrever com a luz”. Alexandre Fonseca, 47, um dos maiores incentivadores da fotografia, acaba de falecer (quinta, 12/12/2019) na clínica Check-Up. Ele ganhou duas vezes o Prêmio Nilton Lins de fotografia. Foi diagnosticado com câncer, há cerca de um mês, mas o quadro era avançado e com metástases.
O velório será realizado na Casa Militar da Prefeitura de Manaus, na avenida Pe. Agostinho Caballero Martin, 770, Compensa.
Alexandre, com a esposa Ione Moreno, criou o “Escrita da luz”. Eles reuniam novos talentos e levavam dicas de fotografia para comunidades periféricas, ribeirinhas, isoladas. Em 2012, o grupo chegou a fazer uma exposição no Palácio Rio Negro. Completaria, em janeiro, 14 anos de existência.
O fotógrafo também se envolveu com grupos folclóricos e incentivava danças, como quadrilhas. Viajava com eles, fotografava, coletava ajuda. Era na sede de um dos grupos, no Alvorada, que dia 22/12 aconteceria feijoada em busca de fundos para tratamento. Colegas jornalistas também estavam se mobilizando.

Alexandre (esquerda) recebendo o Prêmio Nilton Lins, que ganhou duas vezes, com os também premiados Ricardo Oliveira (centro) e Michel Melo, pupilo dele
Alexandre Fonseca tinha o respeito de profissionais amazonenses consagrados. É o caso de Ricardo Oliveira, prêmios Herzog, MPT, Anamatara (direitos humanos), e Alberto César Araújo, Prêmio Esso.
“Era um grande amigo e grande fotógrafo. Profissional e competente”, afirma Ricardo. Foi ele quem levou Alexandre para as redações, no Em Tempo, em 2008, onde era editor de fotografia. Nessa esteira, outros talentos, revelados na “Escrita da luz”, seguiram para o jornalismo. Marcelo Cadile, Marcell Mota e Michel Melo são exemplos. Com Alexandre, Ricardo e Alberto, formaram um dos melhores times de repórteres-fotográficos do Estado. Ione Moreno, em seguida, se juntou a eles.
Na pauta, na rua, quase não falava. Fica 100% concentrado no trabalho. O repórter só via o resultado ao chegar na redação e sempre havia agradáveis surpresas.

Foto de Alexandre na carvoaria revela a sensibilidade e o olhar jornalístico para oferecer o máximo ao leitor
Houve grandes coberturas na trajetória do fotógrafo. Ele fazia a diferença característica da sensibilidade no olhar. Em matéria, cotidiana, sobre carvoarias, desfocou o forno no fundo e destacou primeiro plano de menina consultando tablete. produziu belíssimas imagens de cheia e garimpo na região. Também gostava de sair, com seus pupilos, fotografando a cidade. Era um dos precursores do concurso “Manaus bem na foto”.
Alexandre trabalhava, como comissionado, na Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) e, atualmente, no gabinete do vice-prefeito Marcos Rotta. Rotta viu a atuação dele, quando foi titular da Seminf, e o levou quando saiu.
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