“O índio chorou, o branco chorou
Todo mundo está chorando
A Amazônia está queimando… ”
O trecho da toada “Lamento de Raça”, sucesso do boi garantido no ano 1996, de Emerson Maia, já chamava atenção do mundo para a Amazônia e sobre o alto índice de queimadas e derrubadas na floresta.
Nas últimas semanas, um dos assuntos mais comentados na internet foi a Amazônia. As redes sociais foram bombardeadas com diversos posts de pessoas comuns, artistas locais, nacionais e internacionais, clamando por providências para diminuição do desmatamento e de queimadas na Floresta Amazônica.
Na Região Norte, o trecho da toada citada acima foi bastante utilizado pelas pessoas para tratar do assunto. O alto índice de comentários deu espaço para criação de diversos memes, além de associar o assunto como sendo uma manifestação de partidos políticos, que supostamente estariam se aproveitando para promover ideologias.
Diversas imagens se propagaram pelo mundo, muitas delas fakes news, outras de fato mostrando a realidade vivida na floresta, no sul do Amazonas, local afetado pelo desmatamento.
No início o assunto não foi levado tão a sério, inclusive pelas autoridades brasileiras, que trataram como sendo apenas mais assunto da internet. Precisou uma cidade do Sudeste do País (São Paulo), amanhecer às escuras, no que mais parecia uma noite, para o mundo voltar os olhos para desmatamento na Amazônia.
Os nortistas já vinham sofrendo há meses, contudo, com a fumaça que invade as cidades, prejudicando assim o sistema respiratório dos habitantes. Mas, afinal, a Amazônia é o pulmão do mundo?
Não, não é. As algas marinhas são o verdadeiro pulmão do mundo, uma vez que produzem mais oxigênio pela fotossíntese do que precisam na respiração, e o excesso é liberado para o ambiente. Porém, as queimadas da Amazônia podem prejudicar não só o pulmão dos nortistas, como do mundo.
Após a repercussão negativa do alto índice de queimadas na região, várias ações políticas vêm sendo tomadas para minimizar os efeitos dessas ações criminosas na floresta.
Cientistas da Agência Espacial Americana (NASA) confirmaram um aumento significativo no número e na intensidade de incêndios na Amazônia brasileira, em 2019, tornando-o o ano de incêndios mais ativos na região, desde 2010.
Para os pesquisadores, o alto índice de incêndios foi impulsionado por mudanças nas condições econômicas e climáticas na região, principalmente no período de verão, que é quando a vegetação seca ajuda na propagação do fogo pela floresta.
O mês de agosto desse ano foi notado aumento considerável de incêndios nas proximidades das principais estradas da Amazônia central brasileira. Foi observado que as detecções de incêndio nos Estados do Pará e Amazonas estão concentradas em faixas ao longo das rodovias BR-163 e BR-230, região Sul do Amazonas.
Já na Amazônia legal, Peru e Bolívia também estão sendo afetados pelas queimadas.
A principal ferramenta utilizada pela agência para detecção de incêndio, desde 2002, tem sido o instrumento Espectrorradiômetro de Imagem em Resolução Moderada (Modis), nos satélites Terra e Aqua. Informações fornecidas pelo satélite, também são utilizadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no Brasil, que concorda com os dados fornecidos pela NASA.
Conforme o Inpe, os focos de incêndio superaram a média histórica de agosto. O bioma amazônico registrou 25.934 focos de incêndio, número acima da média da série histórica para este mês, 25.853.
O fato é que mais de 10 mil focos foram registrados somente no Estado do Pará, desde o início do ano. É o Estado brasileiro mais afetado. A crise dos incêndios na Amazônia é tão grande que já gerou até conflitos diplomático, entre o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e o presidente francês, Emmanuel Macron.
Ambos trocaram farpas pela internet e até mesmo por redes de televisão. Países europeus e os Estados Unidos se manifestaram a favor da preservação da floresta. O tema foi discutido durante a cúpula do G7, na França.
O governo brasileiro tomou diversas iniciativas para conter os incêndios na região. Aviões Hércules sobrevoaram as áreas afetadas e despejam água sobre a floresta queimada, uma ação conjunta coordenada por Representantes do Exército Brasileiro, Polícia Federal, Ipaam, Defesa Civil Estadual, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros. Todos monitoram e atuam na crise florestal.
Governadores do Norte, incluindo o do Amazonas, WIlson Lima, participaram de reunião com presidente da República, para alinhar as próximas ações que deverão ser tomadas para o combate às queimadas.
Enquanto isso, os incêndios continuam e diversos hectares de floresta estão sendo devastados. Para o caboclo do Norte só resta continuar cantando as lembranças já profetizada pelo poeta parintinense:
“O meu pé de sapopema
Minha infância virou lenha
Ai, ai, que dor
Ai, ai, que horror
Lá se vai a saracura correndo dessa quentura
E não vai mais voltar
Lá se vai onça pintada fugindo dessa queimada
E não vai mais voltar.”
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