24/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Nós, o Boi, Parintins e as crianças

Publicado em 12 de agosto, 2019

Assistindo aos vídeos e lendo a respeito da última assembleia geral dos sócios do Caprichoso, convocada para apreciação e aprovação das contas de sua diretoria, cujo mandato está prestes a encerrar, em meio aos lamentáveis episódios que ali ocorreram, veio-me a vontade de escrever algumas palavras, na condição de torcedor, sócio, ex-brincante e, sobretudo, parintinense.

Não é novidade para ninguém que o cargo de presidente de Caprichoso e Garantido, nos últimos anos, tornou-se tão importante quanto ao cargo de prefeito de Parintins.

Não só pelo volume de receitas e despesas que têm a administrar, mas também pelo empoderamento que sobressai, em lidar com grande público, com os governos, com a imprensa, enfim, com o estado e a sociedade em geral.

No entanto, observo que, como acontece nos clubes de futebol, a escolha do presidente pelo voto dos sócios, tem sido sempre induzida por paixões.

Parece quase inevitável não votar naquele que melhor aparenta levar o boi ao título na arena do Bumbódromo, ou contra aquele que fez o boi perder.

Não estaria o sócio eleitor errado se a administração dos bois se resumisse à disputa na arena do Bumbódromo.

A dimensão que Caprichoso e Garantido ganhou nas últimas décadas, tornando Parintins conhecida internacionalmente, atraindo divisas para a economia do município e do Amazonas, exercendo forte atuação nas áreas social e cultural, criando, formando e exportando talentos, obriga o sócio eleitor a mudar o foco de suas preferências na eleição para a diretoria dos bois.

O tamanho da dívida dos bois assusta e, pela lógica, deveria inibir as pessoas sérias em quererem disputar a eleição para a presidência e diretoria.

É verdade que os dois bois têm potencial enorme para criarem e fazerem receitas e, com isso, pagarem suas dívidas e ainda apresentarem um boi bonito na Arena.

Para isso, necessariamente, Caprichoso e Garantido têm de ser administrados por gente que não só entende de gestão, mas também comprometida com os bois e com Parintins.

Vale a pena o desafio para aqueles comprometidos com a causa, que não desejam se locupletar do boi, colocarem seus nomes à apreciação dos sócios eleitores.

Recordo-me que na luta pela conquista de espaço para o boi bumbá de Parintins em Manaus, os membros do Movimento Marujada entenderam a importância da causa e que para alcançarem sucesso tinham de renunciar a qualquer pretensão individual em prol do coletivo. O trabalho voluntário refletia o grau de comprometimento com o Caprichoso e com Parintins.

Se o sócio eleitor quiser continuar brincando de boi bumbá, e ter orgulho de contribuir para a permanência e continuidade dessa brincadeira, precisa escolher e estar do lado certo e afastar aqueles que a querem só pra si.

Veja mais notícias em Colunas
Autor
Afrânio Viana

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.