
Irmã de Zé Roberto, pivô de massacre por ciúmes de Sheila, é presa com marido por tráfico. Maria Cléia e o marido estavam num hotel em Florianópolis quando foram presos. Fotos: Divulgação
Maria Cléia Fernandes Barbosa, condenada em 2011 por tráfico de droga, e “pombo-correio” do irmão José Roberto da Silva Júnior, o Zé Roberto, foi detida durante a Operação Guará, deflagrada em cinco Estados nesta sexta-feira (26), contra o crime organizado, tráfico de drogas e associação criminosa.
Foram 20 presos, sendo sete em Teresina. O marido de Cléia, Marcelinho do Centro, também foi detido na operação, em Florianópolis, em um apartamento de alto luxo.
Cléia é mãe de outro traficante, Thiago Alemão, o “Alemão”, considerado um dos pistoleiros da facção, que ano passado foi transferido para o presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.
A Secretaria de Segurança Pública do Estado do Piauí e a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas realizaram prisões em Manaus, Maranhão, Ceará, Santa Catarina e no Piauí.
A operação foi deflagrada em virtude das 55 mortes ocorridas no sistema prisional no Amazonas motivadas por guerra de membros da facção criminosa Família do Norte (FDN), evidenciando um racha entre os líderes Zé Roberto e João Pinto Carioca, o João Branco. Ambos estão detidos em presídios federais.
Cléia teria descoberto que o esposo, conhecido como Marcelinho do Centro, havia se envolvido com Sheila Faustino Peres, mulher de João Branco. Começou então a buscar vingança e não hesitou em insuflar o irmão contra o narcotraficante.
As prisões em Manaus foram feitas por policiais civis da Divisão Especializada em Investigação e Combate ao Crime Organizado (Deicor) e do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), do Amazonas. Na capital amazonense, três foragidos foram presos.
Entre os presos em Manaus estão Andreza Rodrigues Lobo, Rômulo Raphael dos Santos Morais, 28, e Leandro dos Santos Chaves, 30. A ação visava prender integrantes da FDN, a partir da identificação de lideranças que ainda estavam soltas.
A investigação apurou que a chacina se deu devido à disputa interna de poder entre as lideranças criminosas que atuam em todo o Brasil, sendo a terceira facção com maior número de integrantes do País.
Após a descoberta do plano do massacre, os criminosos fugiram dos Estados de origem e se espalharam pelo Brasil, tendo sido identificados 17 criminosos. Todos obtiveram a prisão preventiva decretada pela justiça amazonense.
MotivaçãoVários salves de facções criminosas, da FDN e do Comando Vermelho (CV), divulgados desde o início das mortes, buscam atribuir responsabilidade e motivação à série de mortes nos presídios.
Vídeos gravados de um homem identificado como Magdiel Barreto Valente, vulgo “Magnata”, mostram parte de um suposto complô armado por membros da própria FDN que teria resultado nas 55 mortes nas cadeias.
Fontes da segurança pública confirmam um racha na facção, uma guerra declarada pelo controle no topo do tráfico entre os fundadores da organização criminosa, José Fernandes Barbosa da Silva, o Zé Roberto da Compensa, ou Mano Z, e o narcotraficante João Pinto Carioca, o João Branco. Ambos estão em presídios federais.
Nos vídeos, “Magnata”, que aparece amarrado e com marcas de tortura, conta as relações perigosas que teriam levado a mulher de João Branco, Sheila Faustino Peres, a iniciar os ataques que derem origem aos novos massacres.
Sheila é a mulher que teria motivado a morde do delegado de Polícia Civil, Oscar Cardoso, no dia 9 de março de 2014. O narcotraficante foi acusado, na Justiça, de ser o mentor da execução do delegado.
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