23/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Entenda as mortes no Compaj, com nomes, no meio do panavueiro dos massacres

Publicado em 29 de maio, 2019

Entenda as mortes no Compaj

Entenda as mortes no Compaj, sob o ponto de vista do racha entre Gelson Carnaúba (esquerda), Zé Roberto (centro) e João Branco (direita)

A pergunta que todos fazem é por quê, após mais de um ano de relativa paz no sistema penitenciário, explodiu esse massacre? As 55 mortes registradas no domingo e segunda (26 e 27/05) são um acinte. Elas representam o crime organizado esfregando na cara da sociedade quem manda dentro dos presídios. O estopim foi o racha entre José Roberto Fernandes (Zé Roberto da Compensa), e João Pinto Carioca (João Branco).

 

Estrategista X operacional

Zé Roberto fundou e dividia a estratégia, o planejamento das ações da Família do Norte (FDN) com o compadre, Gelson Carnaúba. João Branco sempre foi o operacional, encarregado das ações de rua, principalmente assassinatos.

 

FDN X CV X FDN Pura

Carnaúba percebeu enfraquecimento do comando de Zé Roberto, recolhido a presídio federal, como ele próprio e João Branco. Aproximou-se de Fernadinho Beira-Mar, do Comando Vermelho (CV), do qual a FDN era fornecedora de drogas. Fundou o CV do Amazonas, a partir da própria FDN, no primeiro e sangrento racha do grupo. João só teria “rachado” com o líder por pressão da esposa, Sheila Maria Faustino Peres. Ela é apontada como “correio” do marido nas cadeias, após as visitas íntimas que realiza. E transmitia a inquietação das ruas com a perda de poder. João teria ordenado o massacre dos líderes mais fiéis a Zé Roberto. Zé Roberto descobriu e agiu primeiro.

 

FDN X CV X FDN Pura (2)

Quando saiu, Carnaúba criou o CV do Amazonas. João convenceu, àquela altura, o “parceiro” Zé Roberto a opor uma FDN Pura. Agora é esse o nome que adota para a dissensão que pretende formar.

Leva-e-traz

Os 15 primeiros mortos, ainda no domingo (26/05), eram considerados “leva-e-traz”. Eles transitavam entre os dois grupos, tentando ganhar prestígio, revelando planos de uns para os outros.

 

Dipen avisou

O Departamento de Inteligência Penitenciária (Dipen) apresentou um relatório, dia 22/05, avisando da tensão interna da FDN. Lembrou que, em 2017, providências foram tomadas, mas o massacre surpreendeu por ocorrer entre internos que pareciam ter relações cordiais.

 

Raios e celas

O massacre de 2017 ocorreu no confronto entre raios, isto é, conjuntos de celas isolados. A Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap), após as mortes do Réveillon, isolou Primeiro Comando da Capital (PCC) e FDN. Foram eles que se confrontaram no dia das 56 mortes. A surpresa desta vez é que o confronto se deu dentro de celas, entre internos que, praticamente, escolheram ficar juntos.

 

Próximos rounds

Zé Roberto, João Branco e Gelson Carnaúba vão continuar disputando poder no mundo do crime. A comunicação deles com os comparsas continuará fluindo. Eles têm direito constitucional às visitas e há visitantes que são pombos correios. Muito sangue ainda vai rolar nesse conflito.

 

Umanizzare

A Umanizzare Gestão Prisional Privada está na mira do governador Wilson Lima. Pressionado, ele anunciou nesta terça (28/05), que o contrato com a empresa, que termina dia 01/06, não deverá ser renovado. Haverá nova licitação.

 

Umanizzare (2)

Saiu a esperada nota da Umanizzare, como ocorre depois de fugas ou massacres. A empresa recebeu R$ 800 milhões em quatro anos. Agora afirma esperar pelo comunicado oficial do Governo para “fazer a transição” para a sucessora. Mas não deixa a tradicional alfinetada: é responsável apenas pelas “atividades meio”, ou seja, limpeza, alimentação, assistência material, cursos profissionalizantes, suporte psicológico, social, ocupacional e atendimentos médico, odontológico, farmacêutico e ambulatorial”.

 

Umanizzare (3)

Atividades meio? Sim. Nada a ver com o massacre? Pergunta que não quer calar: se as atividades contratuais fossem desempenhadas corretamente, os detentos estariam se matando? O massacre, por mais que a Umanizzare não queira, denuncia a ineficiência da empresa. E era ela que também estava no comando em 2017. Mesmo assim, o pior governador do Amazonas, até então, José Melo, renovou o contrato da empresa.

 

Arthur X Wilson

No meio da crise provocada pelas mortes no sistema prisional, o prefeito Arthur Virgílio criticou duramente o Governo do Estado. Um racha com Wilson Lima? Os dois nunca foram aliados. Arthur votou em Wilson, apoiou, mas só no 2º Turno. Até agora, Estado e Prefeitura não fizeram nenhuma ação conjunta relevante. Se não houver gestão política, o racha é inevitável.

 

Josué Neto

O presidente da Assembleia Legislativa mandou dizer, pelo Whatsapp, que “nunca disse isso”. O quê? Que o reajuste dos professores foi aprovado pelo parlamento quando “o governo baixou a bola”. “Isso nunca, jamais, saiu da minha boca”, disse.

 

Mercado inaugurado, permissionários contemplados

O prefeito de Parintins, Bi Garcia, também mandou mensagem. O editorial deste portal cobra que permissionários antigos do Mercado de Parintins não ficassem fora. Bi explicou que havia apenas um nessa situação. “Muito tímido, ele estava sendo esquecido, mas a gente corrigiu”, disse. O mercado, tradição de Parintins, renasce com 10 bancas a mais.

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