09/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Mortes em presídios repercutem no TCE-AM e tribunal notifica governo

Publicado em 28 de maio, 2019

Mortes em presídios repercutem no TCE-AM e tribunal notifica governo

Mortes em presídios repercutem no TCE-AM e tribunal notifica governo. Foto: TCE-AM

Em decisão colegiada, o Tribunal de Contas do Amazonas (TCE) decidiu, nesta terça-feira (28), notificar a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e o Governo do Amazonas a respeito do cumprimento das 37 recomendações feitas pelo TCE-AM, em maio de 2018, para o aprimoramento e melhoria do sistema prisional.

Mortes

As recomendações, feitas na ocasião, também, ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) e à Defensoria Pública do Amazonas (DPE), são fruto de uma Auditoria Operacional realizada nos presídios amazonenses sob a coordenação do Tribunal de Contas da União (TCU).

Será o conselheiro Ari Moutinho Júnior, como relator das contas anuais do governo do Amazonas de 2019, o responsável de notificar ao Executivo a respeito das recomendações feitas pelo relator da auditoria operacional, conselheiro Érico Desterro, que também reprovou as contas da Seap do ano de 2016, com base nos relatórios técnicos e parecer do Ministério Público de Contas (MPC).

Colegiado

O assunto foi debatido pelo colegiado no início da 16ª sessão ordinária, após o conselheiro Ari Moutinho Júnior demonstrar sua preocupação com as mortes em presídios ocorridas no final de semana, menos de três anos após a matança registrada em 2017.

“Eu achei que tivessem tomado as providências e as cautelas necessárias, para que episódios como do final de semana não se repetissem. É dever do Estado garantir a segurança aos internos e da sociedade. Não podemos esperar que cheguemos a um Carandiru. Medidas precisam ser tomadas e temos de nos irmanar com os órgãos para encontrarmos uma solução”, comentou o conselheiro Ari Moutinho Júnior, ao sugerir que fossem chamados para cuidar dos presídios oficiais R2 do Exército e os policiais militares da reserva.

Controle retomado

No debate, o conselheiro Josué Filho sugeriu que Estado retomasse o controle dos presídios, por meio dos agentes penitenciários, no sistema tradicional.

“Com todo o respeito, mas para este tipo de trabalho, o servidor da empresa privada não tem o mesmo perfil do servidor público, porque sabe que pode ser demitido a qualquer hora. A Umanizzare poderia se limitar ao fornecimento de comida”, comentou o conselheiro.

Equívocos

O conselheiro Júlio Pinheiro avaliou que o problema nos presídios amazonenses é fruto da junção de equívocos ocorridos ao logos dos últimos anos. Para ele, é necessário uma união de forças para enfrentar o problema, como um tratamento de choque, tudo dentro da lei, para livrar o Amazonas desta facções criminosas.

Na ocasião, o conselheiro Érico Desterro explicou que todos os contratos da empresa Unamizzare e RH Multi Serviços Administrativos (responsável pela ala feminina dos presídios) devem ser julgados juntos com a prestação de contas da Seap do ano de 2015.

O processo está fase de finalização para ser trazido para julgamento no Tribunal Pleno. Já as contas de 2016 foram reprovadas com multa de R$ 15 mil ao ex-gestor da pasta, Pedro Florêncio Filho.

Mais de 30 recomendações

As recomendações feitas ao governo, à Seap, à DPE e ao TJAM, frutos de um trabalho de 17 meses, tratam do funcionamento do sistema penitenciário do Amazonas e sobre providências que deveriam ter sido adotadas com urgência, entre elas, a instalação de bloqueadores de celulares nos perímetros das unidades prisionais da capital; a realização de diagnóstico do efetivo de servidores necessários ao sistema prisional, contemplando em especial a função de agente prisional, com fins para realização de concurso; a realização de teleauditorias nos presídios; implementação o serviço de ouvidoria no sistema prisional e o estabelecimento de comissão para fiscalização de contratos terceirizados de gestão das unidades prisionais.

Defensoria

Já à Defensoria Pública, na ocasião, o TCE recomendou a retomada do atendimento jurídico aos detentos e a retorno de mutirão carcerário. Ao TJAM, o TCE recomendou que fosse fortalecidae a estrutura financeira da Defensoria Pública do Estado do Amazonas.

A decisão de notificar a Seap e o governo do Estado, sugerida pelo conselheiro Ari Moutinho Júnior, foi aceita pelos conselheiros Julio Cabral, Júlio Pinheiro, Érico Desterro, Josué Filho e Mario de Mello, além da conselheira-presidente, Yara Lins dos Santos, que conduziu a sessão.

Veja os documentos do TCE:
PRESTAÇÃO DE CONTAS SEAP 11392_2017

ACÓRDÃO PROCESSO 718_2017_AUD. OPERACIONAL PRESIDIOS_SEAP

Veja mais notícias em Cidade

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.