
Detentos foram contidos a tiros pela polícia para evitar mais mortes. Foto: Divulgação
Monitoramento da inteligência e a intervenção rápida da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), com as forças de segurança pública do Estado, evitaram que o número de presos mortos fosse ainda maior, nesta segunda-feira (27).
Segundo o titular da Seap, coronel Vinicius Almeida, os presos estavam na tranca e algumas possíveis vítimas identificadas, cerca de 200, foram trocadas de celas. O secretário deve viajar a Brasília nesta quarta-feira (29) para acertar detalhes da intervenção federal no sistema.
No início da tarde, policiais começaram a ocupar os presídios para separar outros presos jurados de morte. As equipes do Grupo de Intervenção Penitenciária (GIP) e do Batalhão de Choque da Polícia Militar atuaram pelo Centro de Detenção Provisória Masculino 1 (CPDM 1), separando presos de celas.
Na ocasião, dois detentos tentaram fazer agentes de ressocialização de reféns, mas foram contidos por tiros. Os agentes tiveram escoriações e, posteriormente, foram encaminhados para atendimento hospitalar.
“Detectamos através da inteligência que estava se preparando mais uma ação dentro da cadeia para cometer mais crimes. Todas as cadeias estavam trancadas e a ação imediata foi deslocar a tropa de choque em todas as celas. Começamos no CDPM e depois nos demais presídios. Enquanto a tropa avançada, eles matavam as pessoas por mata leão, dentro das celas”, disse o secretário de administração penitenciária.
Todos os membros das celas onde ocorreram mortes já foram identificados e serão incluídos no inquérito aberto pela Polícia Civil.
Possíveis líderes dessa briga já foram identificados. De acordo com a SEAP, as mortes registradas nos presídios de Manaus seriam motivadas por um racha entre presos que integravam o mesmo grupo criminoso, no caso a Família do Norte (FDN), e que atua no tráfico de drogas no Estado.
“Atuamos preventivamente para retirar as pessoas que poderiam ser vitimadas e o fizemos ao longo de todo o dia. O monitoramento da situação do sistema prisional continua sendo feito, com reforço policial nas áreas externas de todo o sistema. As mortes registradas foram por asfixia, e uma pequena parte por uso de estoques”, disse.
A Seap informa que não houve registro de fuga, nem de reféns e nem utilização de armas de fogo e facas nas ações criminosas. O secretário de administração penitenciária do Amazonas anunciou que as visitas em todas as unidades prisionais da capital estão suspensas pelos próximos 30 dias.
Número de detentos mortos: 40
Instituto Penal Antônio Trindade (IPAT): 25 detentos
Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj): 4 detentos
Centro de Detenção Provisória Masculino 1 (CDPM1): 5 detentos
Unidade Prisional do Puraquequara (UPP): 6 detentos.
No fim da noite desta segunda-feira, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgou uma nota na qual informou que monitora a situação no estado.
“O CNJ esteve recentemente no estado para se colocar ao lado do poder público local na construção de iniciativas estruturantes para enfrentar situações como a superlotação e a violação direitos, causas que levam à repetição dos episódios de violência nos presídios”, informou o CNJ na nota.
Leia a íntegra da nota divulgada pelo Ministério da Justiça:
O Ministério da Justiça e Segurança Pública enviará uma Força-tarefa de Intervenção Penitenciária (FTIP) para atuar no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, conforme solicitação do governo do Estado do Amazonas. O Departamento Penitenciário Nacional (Depen) aguarda a formalização do pedido mas já está tomando as providências para o deslocamento da equipe.
A FTIP, foi criada em janeiro de 2017. Na atual gestão, o Depen passou a coordenar, exclusivamente, a força-tarefa em apoio aos governos estaduais em situações extraordinárias de crise no sistema penitenciário para controlar distúrbios e resolver outros problemas.
Formada por agentes federais de execução penal dos 26 estados da federação e do Distrito Federal, a FTIP obedece o planejamento definido pelos entes envolvidos na operação, sempre que houver necessidade de sua atuação.
A Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) é responsável pela segurança da área externa do Complexo Penitenciário Anísio Jobim desde 09 de janeiro de 2017. A FNSP continuará atuando no local.