22/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Bolsonaro transfere viagem para 12/04 e traz Michele ao lançamento de app para surdos

Publicado em 05 de abril, 2019

O superintendente da Suframa e o presidente Jair Bolsonaro. Alfredo Menezes integrou comitiva presidencial em visita a Israel. Foto: Divulgação

O presidente Jair Bolsonaro cumprirá agenda em Manaus no próximo dia 12, sexta-feira, quando estará na capital amazonense para lançar com a primeira dama Michele Bolsonaro, o projeto Giulia – Mão que Falam, criado e testado na cidade. Antes, havia uma pré-agenda do presidente dia 9, próxima terça-feira.

Na manhã do dia 12, o presidente terá programação no Manaus Plaza Shopping, com recepção de autoridades e a presença do inventor do Giulia, o professor Manoel Cardoso, na TV Lar. A primeira dama deve discursar sobre o projeto voltado para facilitar a comunicação de surdos com seus ouvintes.

O presidente deve ter atividade no Polo Industrial de Manaus, conforme confirmação feita pelo superintendente da autarquia, Alfredo Menezes. Inicialmente estava prevista visita nas linhas de produção das fábricas Samsung e Moto Honda.

Surdos

O projeto é do professor da Faculdade de Tecnologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Manuel Cardoso, que priorizou as necessidades de melhoria de comunicação em ambientes específicos como hospitais, escolas, delegacias de polícia, fábricas e escritórios. “Desde o início, eu tive a preocupação de ouvi-los e entender a melhor forma que essa tecnologia poderia agregar valor para eles”, disse o professor destacando que consultou pessoas surdas até eleger 42 ambientes prioritários.

Para usar o sistema, é necessário ter um celular ou smartphone fixado no pulso. Além dos sensores comuns aos celulares, o aparelho tem um outro sensor conhecido como magnetômetro (usado para medir a intensidade, direção e sentido de campos magnéticos em sua proximidade), que permite que o celular funcione como uma bússola.

“Quando o surdo faz os gestos da língua de sinais, que é Libras, no caso do Brasil, quando ele movimenta o braço, o aplicativo fica lendo os sensores que definem esses movimentos. Ele reconhece nesses movimentos o sinal e o equivalente em português daquele sinal. O celular sintetiza em voz eletrônica o correspondente em português do sinal que o surdo fez”, explicou.

Inteligência artificial

Um algoritmo baseado em inteligência artificial interpreta e sintetiza em voz eletrônica, em português, aquilo que corresponde ao sinal feito pelo surdo. Esse tipo de tecnologia é necessária, disse Cardoso, porque cada pessoa tem seu jeito de se expressar e uma mesma pessoa pode fazer o mesmo sinal em posições diferentes.

O algoritmo do Giulia  vai aprendendo com as características da pessoa que faz os sinais. “Quanto mais você aprender, mais ele vai saber reconhecer rapidamente os sinais que você está fazendo”.

Idioma

Cardoso destacou que o projeto facilita a comunicação do surdo em áreas prioritárias, porque muitos surdos não conhecem o idioma português. Em caso de necessidade de ir para um hospital, por exemplo, o surdo não precisa ter um tradutor de Libras. O sistema faz esse trabalho, facilitando o atendimento e o diagnóstico médico.

De acordo com o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tinha 12,5 milhões de surdos. E há o registro de vários níveis de surdez, segundo o professor. Desse total, cerca de 5 milhões apresentam alta severidade, dos quais a maioria nasceu com a característica. Conforme Manuel Cardoso, esses são os que têm mais dificuldade de se educar em língua portuguesa. “Essas pessoas não se comunicam”, destacou.

Na avaliação de Cardoso, o projeto Giulia vem preencher essa lacuna, na medida em que um surdo que não saiba português pode fazer os gestos que o aplicativo reconhece e traduz para o português. Ainda segundo ele, o aplicativo pode, inclusive, mandar mensagens pelo WhatsApp.

Testes

Antes do lançamento do projeto para todo o Brasil, testes foram realizados inicialmente em Manaus para avaliar não só a parte tecnológica, mas também a habilidade das pessoas que vão usar o sistema. Os resultados, segundo o professor, mostram “uma revolução”.

Em empresas como a Honda e a Whirlpool, instaladas na capital do Amazonas, as pessoas surdas estão mudando seu comportamento dentro das fábricas, na medida em que interagem com os colegas e chefes. “É uma acessibilidade que, com certeza, vai mudar a vida dos surdos porque o problema do surdo é que é uma deficiência invisível para a sociedade”.

Plataformas

O sistema já está disponível na PlayStore (loja virtual do Google para celulares com o sistema Android). O projeto Giulia conta com apoio da operadora de telefonia TIM na divulgação e na oferta de pacotes de dados diferenciados para que os surdos possam ter acesso a essa tecnologia, com o menor custo possível.

O ideal, segundo Manuel Cardoso, seria que os surdos pudessem usar um dispositivo semelhante ao smartwatch (relógio que usa a internet e é capaz de receber aplicativos para mostrar informações e operar recursos do telefone), devido ao seu tamanho menor. Ele reconheceu, entretanto, que a maioria desses equipamentos não tem todos os sensores necessários.

Veja mais notícias em Política

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.