
Day after Educandos, análise da situação das vítimas do incêndio em Educandos
A vida nunca foi fácil por entre os becos da área varrida pelas chamas do Educandos. O solo ainda sente a quentura, enquanto os ânimos esfriem na mesma velocidade.
Dois fatos protagonizaram esses dias. De um lado, o maior incêndio. De outro, uma mobilização humanitária jamais vista na história de Manaus.
A cidade se empoderou em ondas de apoio e em tom alucinante. Não fossem as lembranças do incêndio, aqueles três primeiros dias entrariam para as histórias recontadas por quem vivenciou e ajudou. Foram mais de 100 pontos de coleta.
Até que veio o aviso: “Tragam apenas fraldas e roupas íntimas”.
– Quem e como contabilizou o que foi coletado pelos grupos?
– O que foi gerado de roupas, calçados e alimentos?
– além dos hipers e supermercados diretos, pequenos comércios e pessoas avulsas fizeram doações. Outros doaram refeições prontas. E continuam doando.
– como a prefeitura está equacionando necessidades e ofertas?
– quantas pessoas realmente ficaram sem abrigo?
No calor do pós-chamas, vimos Prefeitura e Estado convocando a imprensa para apresentar seus atos de salvação. Era a briga de quem doava mais. Prometeram auxílio-moradia, cheque-moradia e até um lar novinho para a segunda etapa de um conjunto residencial. Perdão de dívida na Afeam, cursos de qualificação e apoios diversos.
Mas passada a muvuca inicial, hoje entramos em alojamentos onde está faltando café da manhã e 30 quentinhas são divididas entre os 56 refugiados do fogo.
E como essas pessoas estão em um momento de insegurança social, algumas revelarão, caso falem ou gritem, que estão receosas de represália, que pode gerar a perda de benefícios prometidos e que não apresentam certeza de chegar.
Um dia depois. Uma semana depois. Quanto tempo mais será preciso esperar por atos concretos?
Manaus está longe de entender causas e efeitos de uma tragédia urbana.
Obrigado aos desabrigados de Educandos que falaram conosco nessa busca por compreensão dos fatos e atos.
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