19/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Flagelo Fronteiriço

Publicado em 25 de março, 2018

“Quem conhece a si mesmo e ao inimigo pode garantir a vitória, mas quem conhece o tempo e o terreno alcançará de forma absoluta.” Foi o que disse o maior estrategista de todos os tempos, o General Chinês Sun Tzu, nascido 500 (quinhentos) anos antes de Cristo.

No ano de 2017 o crime organizado na Venezuela teve um aumento alarmente de mais de 50% (cinquenta) por cento, segundo a Organização não-governamental Paz Activa. Tal fato se deu em razão da crise política e econômica que assolou o país.

No Estado de Zulia foram registrados aproximadamente 70% (setenta) por cento dos homicídios vinculados às Organizações Criminosas. Curiosamente, tal Estado faz fronteira com a Colômbia, região dominada pelos dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – FARC.

Pois bem, fato público e notório que, não obstante a luta diária dos colegas policiais vizinhos, Roraima já tem “pago um preço” muito alto na segurança pública em razão da imigração de venezuelanos, haja vista que a facção Primeiro Comando da Capital – PCC, tem recrutado refugiados, de dentro do presídio e, assim, aumentado sua frente internacional, criando-se, também, conexões criminosas para o tráfico de armamento de grosso calibre.

Como se nota, a rápida ascensão do PCC nos presídios de Roraima pode gerar, de igual modo, consequências graves para a Segurança Pública do Estado do Amazonas, pois não se pode olvidar que os “olhos” do PCC estão voltados para rota do Solimões e o objetivo desta facção, desde sua fundação, no ano de 1992, é se infiltrar e se estabelecer em todos os presídios do país, além de buscar o monopólio das rotas do tráfico, a exemplo do que ocorreu na fronteira do Paraguai, em junho de 2016, quando integrantes do grupo criminoso assassinaram Jorge Rafatt (considerado o Rei da fronteira) e, assim, passaram a ter o domínio daquela rota.

Diante desse cenário, autoridades de Segurança Pública do Amazonas e de Roraima (civil, militar e federal), têm envidado esforços de maneira integrada para que se amenizem os impactos da crise internacional venezuelana em nosso país.

Segurança Pública se faz com prevenção, antecipação e inteligência. Assim, conhecendo o inimigo (facções criminosas) e o território (fronteira) garantiremos a vitória.

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Autor
Delegado Guilherme Torres

* Guilherme Torres é Delegado de Polícia. Titular da Delegacia Especializada em Roubos, Furtos ...

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