Domingo, 27 de maio de 2018

Chacina com 14 mortos em Fortaleza pode ser extensão do confronto Zé Roberto, Carnaúba e João Branco

Quatorze pessoas mortas e pelo menos foram feridas durante uma chacina em Fortaleza, que teria ligação com briga entre facções criminosas. Foto: Divulgação

Um ataque a tiros deixou pelo menos 14 pessoas mortas e 16 feridas na madrugada deste sábado (27) no bairro Cajazeiras, na periferia de Fortaleza (CE).

As vítimas participavam da festa “Forró do Gago”, realizada perto da arena Castelão, e foram atingidas por tiros disparados por homens que invadiram o local.

Os criminosos teriam chegado em três carros, fortemente armados, e teriam entrado atirando no clube onde era realizado o baile.

Adolescentes

Esta foi a maior chacina já registrada no Estado. Entre os mortos já confirmados pela Polícia Militar, sete já foram identificados, sendo três homens e quatro mulheres (duas delas menores de idade).

O ataque teria relação direta com uma guerra entre facções criminosas no Estado, que disputam espaços de tráfico de droga. Os atiradores seriam membros da facção Guardiões do Estado, e os alvos seriam do Comando Vermelho (CV).

CV + FDN

O CV em Fortaleza tem ligações com a facção criminosa Família do Norte (FDN), assim como na Região Norte, sob o comando de um dos chefes do grupo amazonense, José Roberto, o Zé Roberto da Compensa, segundo fontes policiais.

A chacina no Ceará pode ser vista como uma extensão do confronto interno na FDN, com disputa entre os líderes Zé Roberto, Gelson Carnaúba e João Pinto Carioca, o João Branco. No Amazonas, esse racha tem provocado execuções de membros da facção ligados aos chefões.

O racha na FDN teria começado com o assassinato do traficante Ramerson Albuquerque de Oliveira, 33, o “Gogonha”, morto no dia 4 de novembro e suspeito de atuar no tráfico de drogas na zona Centro-Sul.

Ruptura

A ruptura da parceria entre as facções que comandam o tráfico é apontada por especialistas como principal motivo que levou a FDN a matar 56 detentos membros do PCC no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), ano passado.

Durante uma rebelião de 17 horas em Manaus, presos do FDN, braço aliado do CV no Norte, invadiram uma ala em que ficavam detentos do PCC. O resultado foram corpos esquartejados, decapitados, e com olhos, corações e vísceras arrancados, jogados em carrinhos de levar comida e queimados.

Mais 112 presos fugiram antes da rendição dos detentos que pôs fim à rebelião – 54 já foram recapturados.

Emboscada a barão do tráfico

Entre os fatores que desencadearam a guerra entre PCC e CV, está a morte, durante uma emboscada, do traficante Jorge Rafaat Toumani, em 2016 na cidade de Pedro Juan Caballero, fronteira com o Mato Grosso do Sul.

Ele era considerado pelos Estados Unidos como um dos barões do tráfico internacional de drogas e armas na fronteira. O PCC teria agido no ataque, segundo a polícia.

As mortes provocadas são formas de retaliação e demonstração de força das facções e novos capítulos são esperados dentro da disputa maior por poder e comando hegemônico do tráfico.

Terceira

A FDN hoje é a terceira maior facção nacional e foi foco da Operação La Muralla da Polícia Federal em 2015, quando foram cumpridos 127 mandados de prisão. O Amazonas é porta de entrada do narcotráfico para o Brasil.

Nos Estados de domínio do PCC, São Paulo, e CV, Rio de Janeiro, o confronto direto é evitado. Mas no Norte e Nordeste há bem menos tolerância.

Sistema de segurança

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) classificou a chacina como um “evento isolado”, assim como acontecem ataques em boates em outros países, de forma organizada e planejada.

De acordo com a SSPDS, outras seis pessoas ficaram feridas, duas delas estão em estado grave. O Instituto Doutor José Frota informou que 10 vítimas do caso foram atendidas no Frotinha da Messejana na madrugada.

Dessas, oito receberam alta. Um homem segue internado em estado grave e uma adolescente de 17 anos foi transferida. Nove pessoas seguem no instituto: duas mulheres (23 e 19 anos), quatro adolescentes (duas de 16 anos e duas de 17 anos), um homem (24 anos), um adolescente (16 anos) e uma criança (12 anos).

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