26/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Projeto de música já incentivou mais de mil internos do sistema prisional

Publicado em 10 de maio, 2016

Desde 2006, um  projeto voltado para incentivar os internos do sistema prisional a desenvolverem a prática musical, já alcançou mais de mil pessoas privadas de liberdade, no Amazonas. Dois instrutores de música iniciaram o projeto ‘Esperança Carcerária’ na Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa (CPDRVP), no Centro de Manaus, e estenderam as aulas instrumentais e de canto para outras duas unidades do sistema. Futuramente, o projeto chegará à quarta unidade prisional. A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) trabalha com este objetivo.

De acordo com especialistas, a música não é só um entretenimento, mas também uma medida para acalmar e relaxar, além de induzir ao movimento, melhorar a comunicação, criar vínculos, amenizar dores, auxilia no fortalecimento da memória, estimula práticas de atividades físicas e promove o autoconhecimento. Com todos os benefícios apresentados, o projeto ganhou vida também no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), nos regimes fechado e semiaberto.

Para o secretário da Seap, Pedro Florêncio, o projeto é um grande passo para que os internos aprimorem aptidões já existentes ou descubram um novo talento. “Com espaço e os instrumentos, o projeto foi ganhando força durante esses dez anos. Os frutos vêm sendo colhidos desde então, com os internos que participaram e continuam frequentando as aulas montado grupos que se apresentam nas unidades, durante os cultos, confraternizações e comemorações diversas”, afirmou.

É com o intuito de continuar formando cantores e músicos que um novo projeto será lançado, conforme explicou Pedro Florêncio. O ‘Música na Tranca’ será implantado no Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM), vizinho do Compaj, no quilômetro 8 da Rodovia BR-174 (Manaus – Boa Vista), que já possui alguns internos com conhecimentos musicais. “No mês de abril realizamos um culto na unidade e os primeiros louvores foram realizados pelo corpo de detentos do CDPM”, disse o secretário.

Frutos são colhidos

Todos os internos participantes são acompanhados diariamente pelos músicos e instrutores musicais: Raimundo Rodrigues, o ‘Kokó’ e Alfredo Márcio Liberato de Carvalho, o ‘Dondon’. Segundo Kokó, o projeto de ressocialização já gerou gravações de CDs e DVDs. “É um trabalho árduo, porém muito prazeroso. Muitos já estiverem conosco e é gratificante participar do desenvolvimento e contribuir para que eles tenham uma nova habilidade. A música abre muitas portas, estimula a criatividade, proporciona disciplina e liberdade artística”, afirma o músico.

Canto, violão, cavaquinho e percussão, não importa qual seja o instrumento. Todos tem vez e espaço no projeto, que agrega tanto músicas de cunho religioso, como pagode, samba e música popular brasileira. Com muita dedicação e juntando o melhor de todos os mundos e talentos, esses internos buscam na música uma nova chance de vida.

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