20/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Quem fica com a Fifa?

Publicado em 13 de janeiro, 2016

“O futebol, e não apenas a Fifa, está no princípio de um desastre”, foi o resumo de um ex-diretor da entidade, Chris Eaton, que hoje atua como executivo do Centro Internacional para a Segurança no Esporte.

O sinal de alerta apontando a crise que a centenária entidade do futebol mundial teria, dali para a frente, que enfrentar foi acesa ao final da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, quando o país sede colocou à prova sua imagem internacional. Fora das quatro linhas, o que esteve em jogo foi a capacidade da população debater, questionar e cobrar os dirigentes e/ou políticos diante de tantas outras necessidades que o país apresenta no campo da saúde, educação, justiça, segurança, estradas, saneamento, só para citar algumas.

Assim, o “país do futebol” mostrou para o mundo que os protestos nas ruas, mais tarde, serviria de exemplo para que se buscasse promover reformas profundas na máter do futebol mundial. Não ganhamos a copa, mas mostramos que não há mais espaço para esquemas corruptos, nem para pessoas que se locupletam com o dinheiro de ingressos dos torcedores, sem vê-los como verdadeiros cidadãos.

Talvez o sentimento de contrariedade, de ressentimento mesmo, por terem perdido o direito de sediar as copas do mundo de futebol em 2018 e 2022, respectivamente, tenha motivado em americanos e ingleses o sentido de justiça e decretado a prisão de vários dirigentes. Mas, como afirmou Jérôme Chanpagne, um dos pretensos candidatos à presidência da Fifa, “a Copa no Brasil foi um sinal de alerta claro para a Fifa”.

As mazelas causadas por esse bando de abutres, que até pouco tempo eram considerados intocáveis, ainda está longe se ser mensurada. Os grandes patrocinadores também têm procurado se afastar da entidade e de qualquer ligação com os nomes dos envolvidos.

À véspera de mais uma eleição, a entidade ainda manterá o velho formato criado por Blatter. Para impedir que nomes de fora da Fifa se apresentem como candidato, cada um deve ter apoio de, pelo menos, cinco das 209 federações de futebol. Quem der apoio a opositores do sistema é severamente punida. O único brasileiro que se apresentou à candidatura, o ex-jogador Zico, não conseguiu apoio nem do Brasil nem da Conmebol.

O futuro também é incerto para aqueles que estão na corrida eleitoral. O francês Michel Platini responde a um processo que envolve o pagamento de US$ 2 milhões, entre ele e Blatter. Atualmente, ganha força o presidente da Confederação Asiática de Futebol, o xeique Salman Al Khalifa, do Bahrein, que já foi um dos aliados de Platini. Correndo por fora está o suíço Gianni Infantino, um braço direito de Platini na Uefa. O sul-africano Tokyo Sexwale também demonstrou interesse em concorrer. O príncipe Ali Bin Hussein, da Jordânia obteve apoio da Europa.

O ex-jogador de Trinidad e Tobago, David Nakhid também é candidato, embora seja visto como “laranja” de Jack Warner, acusado de corrupção quando dirigia o futebol em país caribenho. O ex-diplomata francês Jérôme Champagne também está no pleito e carrega a alcunha de “homem de Blatter”. Ninguém sabe quem será o vencedor, muito menos se haverá eleição. O que queremos é uma vitória, sem abalos, com punições aos corruptos que enriqueceram às custas da emoção e da paixão do torcedor.

 

*Coordenador do Programa de Educação Fiscal no Amazonas.

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Autor
Augusto Bernardo Cecílio

* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.

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