A bebida alcoólica, apesar das significativas contribuições através do pagamento de altas somas de impostos, causa grandes estragos sociais e econômicos, provocando custos que vão muito além do valor arrecadado. Nem se as despesas fossem menores se justificariam tamanho desperdício. O prejuízo vai mais longe, não é só material e não se resume apenas em consertar carros, bens públicos e pessoais.
Para se ter uma ideia do poder de destruição do álcool, faz-se necessário calcular quanto custam os efeitos devastadores provocados por uma desestruturação familiar. Quantas outras consequências são provocadas a partir de uma dependência química, ou de um mero deslize, ou até de uns goles a mais? Todos os males causados pelo álcool poderiam e podem ser evitados, bastando usar o bom senso.
A verdade é que o álcool destrói famílias inteiras no Brasil e do mundo. Basta ver as páginas dos jornais ou assistir os noticiários na televisão. Do seio familiar, onde pais e filhos, movidos pela fúria etílica, se digladiam sempre com trágicos resultados. No trânsito não é diferente. O arrojo e a fúria empregados ao dirigir, somados à irresponsabilidade e à falta de lucidez, facilmente provocam danos irreparáveis não só para quem usa o veículo como uma arma, mas muitas vezes acaba envolvendo um simples pedestre e/ou passageiros e motoristas que atuam com cautela e prudência.
As estatísticas estão repletas de casos banais que envolvem acidentes provocados por motoristas embriagados, que se valem da amizade com personalidades nutridas de algum poder, e contam com as atitudes de deputados e senadores (que se recusaram a fazer o teste exigido por Lei e tiveram suas carteiras cassadas), e deveriam dar bom exemplo.
Na grande maioria das vezes, se as vítimas não chegam a óbito, as sequelas certamente são irreparáveis, aumentando o número de incapacitados para o trabalho e, principalmente, para desfrutar de uma vida normal.
Além disso, cabe ao poder público, na grande maioria das vezes, o ônus financeiro dessa descabida inconsequência. Manter essa farra através de cirurgias, internações, remoções e emergências, que resultam em ocupações prolongadas de leitos em hospitais e pronto-socorros mantidos com dinheiro público, é injusto considerando os cidadãos que observam as leis, pagam seus impostos e convivem harmoniosamente sem se deixar levar pelo efêmero prazer do álcool.
Na mídia, nas suas mais variadas formas e cores, vemos empresas utilizando mulheres bonitas, gente famosa e até associando práticas esportivas às marcas de bebidas acaba contribuindo para aumentar as nefastas ocorrências.
Não é difícil ver em Manaus, inclusive em festas promovidas em espaços públicos, menores de idade com acesso livre à compra de bebida alcoólica e até transitam em vias públicas com coquetéis preparados em casa, muitas das vezes com a anuência dos próprios pais.
Também é possível perceber que muitas pessoas, principalmente jovens, saem das festas para um verdadeiro tudo ou nada, sem limites, matando ou morrendo. As estradas do aeroporto, da Ponta Negra, do Turismo e a Torquato Tapajós que o digam, sem falar na que leva à Cidade Nova. Sugestões? Educação, endurecimento e aplicação das leis, e fim da impunidade.
*Coordenador do Programa de Educação Fiscal.
* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.