Com a demolição do antigo estádio e a construção do Novo Vivaldão foram gastos cerca de US$ 300 milhões. Inegável que a realização dos quatro jogos da Copa em Manaus foi um sucesso de público e crítica. Algo parecido deverá ocorrer com os jogos de futebol das Olimpíadas em Manaus, mas e depois?
A Arena da Amazônia Vivaldo Lima continuará sendo utilizada apenas para amistosos sem nenhuma importância e abrigando jogos dos times cariocas quando eles não forem os mandantes na Copa do Brasil, por exemplo, ou estiverem literalmente caindo pelas tabelas?
Durante todo o pré-Copa foi sustentado por uma tal de Unidade Gestora da Copa (UGP) e por gente que nunca antes tinha ido ao campo de jogo, que o novo estádio seria multiuso, dispensando o futebol para mantê-lo ocupado. Em muitos textos aqui e em outros veículos procurei alertar a todos não ser isto possível: onde quer que haja Arenas multiuso no mundo o carro-chefe sempre foi o futebol. Ao contrariar esta realidade, a administração da nossa arena começou a ceder o espaço para todo tipo de eventos. Tivemos do Boi-Bumbá aos shows religiosos ou não, católicos ou evangélicos, e quando precisou-se do estádio para o futebol foi aquela vergonha nacional com o gramado.
Não é possível o palco do futebol conviver com shows e suas estruturas erigidas sobre o campo de jogo. Isto pode até ser feito, mas em caráter subsidiário, nunca como regra.
Parece-me elementar a necessidade de formulação de políticas para o fortalecimento do futebol local que resultem na ascensão de dois times do Amazonas para pelo menos disputarem a série B do Campeonato Brasileiro.
É preciso criar mecanismos de divulgação dos principais jogos de cada rodada e remunerar os veículos de comunicação por isso, inserindo nos programas televisivos locais o mesmo conceito, estendendo-o também às rádios FM, além é claro de uma política de redução de custos do estádio que possibilite a popularização dos ingressos.
Talvez o fim das transmissões pela TV particular seja um caminho: melhor distribuir esta verba entre todos os veículos de comunicação. A TV Cultura poderia transmitir as partidas jogadas no interior do Estado. A tabela deveria ser dirigida e em cada rodada os líderes fariam seus jogos na Arena da Amazônia Vivaldo Lima.
Algo muito diferente do que está aí precisa ser feito. Do contrário seremos eternamente estigmatizados pela manutenção de um elefante branco em nossa capital. A Bahia vai encontrando forma de povoar seu novo estádio remunerando o Esporte Clube Bahia para mandar seus jogos no novo palco. E o Amazonas? Vai esperar o Flamengo ou o Vasco estarem mal no brasileirão para virem mandar seus jogos em Manaus?
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* Luis Cláudio Chaves é juiz de direito.