09/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

O conhecimento só faz sentido, quando a sociedade dele se apropria por meio de produtos e serviços

Publicado em 11 de abril, 2014

Como se sabe, no PISA, teste em que a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) realiza a cada três anos para medir o desempenho dos estudantes de 15 anos de 65 países, em Matemática, Leitura e Ciências, os resultados sempre têm sido muito desfavoráveis ao Brasil, desde o ano 2000 quando foi realizado pela primeira vez.

Os resultados mostram que o País ficou, praticamente, estagnado há dez anos chegando à regressão na última edição realizada em 2012, quando caiu da posição 54 para a 58, dentre os referidos 65 países.

Nesse mesmo cenário, quando se olha apenas a fotografia do Brasil, quem assume os últimos lugares é o Amazonas, numa demonstração que em matéria de educação estamos para o Brasil, como o Brasil está para o mundo. Na rabeira. Nossa colocação variou entre 22 em Leitura, 23 em Ciências e 25 em Matemática, neste caso, superando apenas Maranhão e Alagoas. Essa situação não é novidade, pois, aqui mesmo neste espaço, tem sido insistentemente exposta.

No início deste mês a OCDE liberou o relatório com os resultados de uma nova experiência que realizou entre 44 dos tradicionais 65 países. O interesse era conhecer o raciocínio lógico e a capacidade de sistematizar a busca de soluções para problemas práticos relacionados ao dia a dia e que, necessariamente, não exigiam conhecimentos prévios, portanto, dissociados dos conteúdos curriculares, já que não se aprendem na escola, mas que o Pisa julga importante para a qualificação e produtividade da mão de obra.

Resultado: rabeira novamente. Entre os 44 países, o Brasil ficou em 38º lugar. Menos de 2% dos alunos brasileiros foram capazes de resolver os problemas mais complexos que se enfrenta no cotidiano. Os alunos dos primeiros colocados o percentual foi de 20%.

Já está mais do que comprovada a importância da educação para vencer a pobreza e promover o desenvolvimento. Fica cada vez mais evidente, que além dos equívocos dos responsáveis pela nossa economia, parte do pífio desempenho do PIB é resultado direto da falta de capital humano qualificado. Não é outra a razão da baixa produtividade do País.

Não é cabível, pois, que alguma autoridade brasileira desconheça essa realidade. Por que, então, não há uma reação para mudar esse cenário, que vá além do discurso e do marketing agressivo? Por que a União, a maior arrecadadora dos impostos geradores dessa absurda carga tributária, é a que menos investe na educação básica, deixando pobres Estados e Municípios de pires nas mãos nessa e em outras atividades? Não dá mais para aguentar.

A situação brasileira é tão preocupante nesse aspecto, que a própria OCDE aproveitou a última reunião de Ministros da Fazenda e Presidentes de Banco Central do G20, realizada na Austrália, para recomendar diretamente ao Brasil, que promova mudanças na estrutura da educação para melhorar os resultados do ensino básico, sem o que não haverá melhorias na produtividade, motor do desenvolvimento e dos ganhos sociais. Para variar Mantega não compareceu.

É grande o desafio do País para se aproximar os resultados da educação dos países desenvolvidos, mas, muito menor do que o nosso do Amazonas, pois, para atingir a média da OCDE no PISA, o Estado tem de superar mais de vinte estados que estão na nossa frente.

Superar essas dificuldades e avançar na educação é para nós uma questão de vida ou morte, pois, a nossa economia é estruturada em cima de um polo tecnológico e de sistemas da biodiversidade, dos rios e do subsolo, todos dependentes de conhecimento avançado.

Nessa dependência também estão os Centros de Tecnologia sem os quais não haverá ambiente adequado à inovação, essencial à independência do nosso principal modelo e o avanço nas outras áreas.

Cuidar do ambiente onde se desenvolvem as atividades modernas, é uma exigência do capital e do empreendedorismo.  Nesse cenário nunca se desprezará a importância de Incubadoras, Redes de Cooperação e Arranjos Produtivos Locais, necessidades das “Cidades Inovadoras”.

Há que se criar enfim, um ambiente de negócios dinâmico, onde os órgãos gestores do Estado assumam um papel colaborativo, com a burocracia trabalhando a favor do empreendedorismo, como acontece em todo mundo desenvolvido, onde empresas são criadas e fechadas em poucas horas e o desembaraço alfandegário não vai além desse tempo.

É preciso ter em conta que numa cidade inovadora que Manaus há de se tornar, capitais e empreendedores deverão encontrar um ambiente altamente favorável à transformação do conhecimento em produtos e serviços, única forma pela qual as sociedades dele se apropriam  para melhorar a sua qualidade de vida, sem o que, o próprio conhecimento não faz o menor sentido.

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Autor
Francisco Cruz

* Francisco R. Cruz é empresário e trabalhou muitos anos na área de tecnologia e, entre 2001 e 20...

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