07/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Estudante de 18 anos morre com suspeita de meningite. Semsa descarta surto da doença

Publicado em 11 de abril, 2014

A estudante Talita Ferreira Gomes, 18 anos, que cursava o 3º ano do Ensino Médio na Escola Estadual Sólon de Lucena, morreu nesta sexta-feira (11/04) com suspeita de meningite. A doença só deve ser confirmada com o laudo laboratorial. É o segundo óbito por meningite este ano.

Por conta da morte da estudante, os alunos do Sólon de Lucena foram impedidos de sair da escola, na manhã desta sexta-feira. Eles foram liberados somente após a Vigilância Sanitária fazer a ação de bloqueio epidemiológico.

Talita começou a passar mal na manhã de quinta-feira (10/04). Ela chegou a sair mais cedo da escola e foi levada para o SPA do São Raimundo, às 11h. Segundo o pai da estudante, Daniel Gomes, o médico disse que ela não tinha nada, passou três remédios e a mandou voltar para casa. Como a dor na garganta e nas costas persistia, ela foi levada às 17h ao Hospital Pronto Socorro 28 de Agosto, onde já chegou passando mal. Horas depois, faleceu.

Surto descartado

O secretário municipal de Saúde, Homero de Miranda Leão, descartou qualquer possibilidade de um surto de meningite na capital e tranquilizou a população. Segundo ele, Manaus teve, inclusive, redução de 33% de casos de meningite em 2014 em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

Secretário municipal de Saúde, Homero de Miranda Leão, tranquilizou a população e disse que não há surto de meningite em Manaus. Foto: Karla Vieira/Semcom

Secretário municipal de Saúde, Homero de Miranda Leão, tranquilizou a população e disse que não há surto de meningite em Manaus. Foto: Karla Vieira/Semcom

“Não existe epidemia. É apenas um caso isolado de meningite”, assegurou Homero, acrescentando que em 2013, a Semsa registrou 164 casos de meningite bacteriana e viral em Manaus, dos quais 19 evoluíram para óbito. Os números de 2014 já apresentam uma redução de 33% de incidência da doença. Até agora, foram registrados 23 casos com duas mortes confirmadas.

O secretário disse que o caso da estudante desta sexta-feira configura clinicamente a meningite, mas somente um laudo laboratorial deve confirmar com exatidão que se trata da doença. “O Departamento de Vigilância Ambiental e Epidemiológico da Semsa fez um bloqueio epidemiológico assim que tomamos conhecimento do caso”, assegurou Homero.

A diretora do Departamento de Vigilância Ambiental e Epidemiológica (Dvae), Angélica Tavares, disse que todas as pessoas que tiveram contato com a estudante, sendo 12 colegas da Escola Estadual Sólon de Lucena, e 21 vizinhos e familiares, receberam doses da Rifanpicina, antibiótico para conter, caso haja contaminação, o avanço da doença. “Não há que se fazer alarde. Nós estamos com o controle total da doença. Na segunda-feira, 14, as aulas na escola que a aluna estudava serão reiniciadas”, informou Homero de Miranda Leão Neto.

Doença e sintomas


Meningite é a inflamação das membranas que revestem o encéfalo e a medula espinhal, conhecidas coletivamente como meninges. A inflamação pode ser causada por infecções de vírus, bactérias ou outros micro-organismos e, menos comumente, por certas drogas. A meningite pode pôr em risco a vida em função da proximidade da inflamação com órgãos nobres do sistema nervoso central e, por isso, essa condição é classificada como uma emergência médica.

Os sintomas mais comuns da doença são forte dor de cabeça e rigidez de nuca associados à febre alta, confusão mental, alteração do nível de consciência, vômitos e a intolerância à luz (fotofobia) ou a sons altos (fonofobia). Algumas vezes, especialmente em crianças pequenas, somente sintomas inespecíficos podem estar presentes, como irritabilidade e sonolência. A presença de uma erupção cutânea pode indicar um caso particular de meningite; a causada por bactérias do tipo meningococos.

Uma punção lombar pode ser usada para diagnosticar ou excluir um quadro de meningite. O procedimento envolve a inserção de uma agulha no canal medular para extração de uma amostra de líquor, o líquido que envolve o encéfalo e a medula espinal. O líquido coletado é, em seguida, examinado em um laboratório. O tratamento habitual para a meningite é a pronta administração de antibióticos e, por vezes, fármacos antivirais. Em algumas situações, corticóides podem ser usados para prevenir complicações da inflamação hiperativa. A meningite pode ter complicações sérias a longo prazo como epilepsia, hidrocefalia e déficit cognitivo, especialmente se não tratada rapidamente. Algumas formas de meningite, como aquelas associadas com meningococo, Haemophilus influenzae tipo B, pneumococo ou vírus da caxumba podem ser prevenidas através da vacinação, em crianças com até dois anos.

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