
Dados do MEC e Inep mostram que alunos de unidades com jornada de sete horas ou mais alcançaram notas maiores nas três etapas da educação básica (Foto: Divulgação)
Estudantes de escolas com jornada de tempo integral apresentaram desempenho médio superior no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025 em comparação com alunos de instituições que possuem menor carga horária diária. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) na última quarta-feira (5).
O levantamento aponta que as escolas com jornada de sete horas diárias ou mais tiveram resultados melhores nas três etapas avaliadas da educação básica: anos iniciais e finais do ensino fundamental e ensino médio.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, as escolas de tempo integral alcançaram Ideb médio de 6,2, enquanto as unidades com jornada inferior a sete horas registraram 6,0. Nos anos finais, o índice foi de 5,2 contra 4,9. Já no ensino médio, as escolas com jornada ampliada chegaram a 4,7, enquanto as demais ficaram em 4,3.
O desempenho superior das escolas de tempo integral foi observado em todas as regiões brasileiras. Os dados mostram que, nos três níveis de ensino avaliados, as unidades com jornada ampliada registraram índices maiores.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, a Região Sul apresentou o maior Ideb entre as escolas de tempo integral, com 6,7, seguida pelo Sudeste (6,5), Centro-Oeste (6,3), Nordeste (6,0) e Norte (5,5).
Nos anos finais do ensino fundamental, o Sul também liderou, com 5,6, seguido pelo Sudeste (5,5), Centro-Oeste (5,3), Nordeste (5,1) e Norte (4,7).
No ensino médio, Sul e Centro-Oeste registraram os maiores índices entre as escolas de jornada ampliada, com média de 5,0. Na sequência aparecem Sudeste (4,8), Nordeste (4,6) e Norte (4,4).
De acordo com o levantamento, a educação em tempo integral contribui não apenas para a melhora dos indicadores de desempenho, mas também para ampliar as oportunidades de desenvolvimento dos estudantes.
Com mais tempo na escola, os alunos podem participar de atividades de aprofundamento das aprendizagens, recuperação de conteúdos, acompanhamento individualizado, projetos científicos, culturais e artísticos, práticas esportivas, educação digital e ações voltadas ao desenvolvimento socioemocional.
A ampliação da jornada também tem papel importante para estudantes em situação de maior vulnerabilidade social, ao garantir maior acesso ao conhecimento, à cultura, ao esporte, à alimentação e a ambientes de convivência e proteção.
Apesar dos avanços apontados pelo Ideb, a implementação da educação em tempo integral depende de investimentos e planejamento. A ampliação da permanência dos estudantes na escola exige adequações na infraestrutura, melhoria dos espaços pedagógicos, aquisição de materiais, fortalecimento da alimentação escolar, transporte adequado e formação das equipes.
A política também demanda mudanças na organização do trabalho dos professores, com condições que favoreçam o planejamento coletivo, a formação continuada e o acompanhamento mais próximo das necessidades dos estudantes.
O Ideb, criado em 2007, combina os resultados dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) com as taxas de aprovação registradas pelo Censo Escolar. O indicador é utilizado como referência para acompanhar a qualidade da educação básica brasileira e orientar políticas públicas do setor.
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