24/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Lideranças indígenas querem a desocupação da Funai em Manaus

Publicado em 21 de novembro, 2013

As principais lideranças indígenas dos povos Munduruku e Mura (da terra indígena Kwatá Laranjal) e Hexkariano (do baixo Amazonas) vieram a Manaus esta semana para pedir a desocupação do prédio da Fundação Nacional do Índio (Funai), por parte de indígenas residentes na capital amazonense. Reunidos desde a última terça-feira (dia 19), o grupo de nove caciques alega que a ocupação vai completar três meses e começa a refletir de forma negativa nas comunidades que hoje são atendidas pelos serviços da Funai, nos municípios de Borba, Nova Olinda e Nhamundá.

O movimento também é contrário à saída do atual coordenador da Funai/AM, Eduardo Desiderio e, após encaminhar uma carta com 22 assinaturas à presidência do órgão, em Brasília, a comitiva reuniu-se nesta quinta-feira (dia 21) com integrantes do Gabinete de Gestão Integrada, do Governo do Amazonas, para expor os motivos do pedido de desocupação.

Na carta (ver em anexo), as lideranças alegam que a ocupação “envergonha o povo indígena e sua imagem”, além de ser feita por pessoas que “não representam indígenas de aldeias/terras indígenas da jurisdição dessa regional da Funai”.

A carta foi produzida durante reunião na Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind), que recebeu as lideranças e ouviu as reivindicações, por meio do Departamento de Apoio aos Povos Indígenas (Dapi), cujo serviço é executado de forma integrada entre o Governo do Amazonas, a Defensoria Pública da União (DPU), a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE) e a Procuradoria Federal. A conversa teve a presença do procurador federal Caio Leonardo.

O grupo chegou a conversar, via skype, com a assessora do Gabinete da presidência da Funai, Lúcia Alberto, de quem receberam a garantia de que a demanda chegaria às mãos da presidenta interina, Maria Augusta Boulitreau Assirati.

Situação crítica

De acordo com o tuchaua geral da comunidade Cachoeira Porteira, em Nhamundá ( a 375 quilômetros de Manaus), Manoel Kaywana, 73, a situação começou a ficar crítica. Os prejuízos vão desde a produção de castanha à interrupção de serviços como a expedição de documentos.

“Nossos projetos com farinha e castanha estão parados há mais de dois meses, por causa dessa atitude de pessoas que não são indígenas da base, das comunidades, que precisam bem mais de assistência”, justificou o líder indígena, que representa toda a população indígena do baixo rio Amazonas.

Além do tuchaua, caciques como Manoel Cardoso Munduruku, 63, de Kwatá Laranjal, em Borba (a 150 quilômetros de Manaus), informaram que só voltarão para a aldeia, quando a desocupação for finalmente concretizada.

“Não compactuamos com invasão de prédio público, vandalismo e, essa ocupação, que é feita de forma agressiva, não pode continuar”, afirmou o cacique. “Viemos aqui para solicitar providências, resolver o problema e levar uma resposta positiva para nossas aldeias”, finalizou.

Planejamento

Conforme o conselheiro de saúde de Kwatá Laranjal, Levi Munduruku, simultaneamente à execução dos projetos, o período é de planejamento, por isso a necessidade da desocupação na Funai. O indígena chegou a sugerir a mudança de sede para Nova Olinda, no intuito de evitar novas ocupações.

Além de Seind e Funai, a discussão em torno da ação de retirada dos indígenas do prédio da Funai teve a participação de representantes da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), da União dos Povos Indígenas Munduruku e Sateré-Mawé (Upims) e Conselho dos Professores Indígenas da Amazônia (Copiam).

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