As engenharias são as profissões do momento. E um dos pontos que atrai para esses cursos é a boa remuneração. O dado é confirmado por um estudo feito pela Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Secti-AM) que concluiu que no Amazonas, 19,8% dos engenheiros recebem remuneração superior a 20 salários mínimos e 80,9% ganham acima de sete salários, o que equivale aproximadamente R$ 13 mil e R$ 4 mil, respectivamente.
A análise apurou ainda que a Região Norte percentualmente possui mais engenheiros com doutorado, 2,7%, que a média brasileira, 2,2%.
As informações coletadas pela equipe do Departamento de Relações Interinstitucionais e Indicadores de CT&I (DIN) da Secti-AM estão na nova edição do Boletim de Indicadores de CT&I, que analisa o mercado de trabalho dos engenheiros na Região Norte, com foco especial no Amazonas.
Segundo Moisés Coelho, chefe do departamento, a edição Nº 7 do Boletim conclui o perfil das engenharias no Estado, iniciando na graduação, passando pela pós-graduação e concluindo com o mercado de trabalho no qual esses profissionais atuam.
Os dados analisados foram obtidos no Observatório da Inovação e Competitividade, vinculado à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e banco de dados do EngenhariaData, que investiga as tendências e perspectivas de engenharia no Brasil.
Em relação à remuneração e formação, as principais áreas da Engenharia no Amazonas são civil, elétrica e produção. Nessas, o salário médio está entre sete e 15 salários mínimos. Mas, vale destacar o caso dos engenheiros agrimensores/cartógrafos, químicos, de minas, mecânicos e professores de ensino superior, que se enquadram na remuneração média acima dos 20 salários.
Faixa etária – Na Região Norte, 32,2% dos engenheiros ocupados em 2011 estava na faixa etária entre 30 e 39 anos, seguido por 26,1% dos engenheiros entre 50 e 64 anos e 21,1% entre 40 e 49 anos. Esses resultados demonstram uma maturidade da classe na região, considerando que 48,5% dos engenheiros estavam acima dos 40 anos. Os Estados do Amapá (39,8%), Roraima (31,4%), Acre (27,6%) e Rondônia (26,2%) apresentam a maior proporção de engenheiros acima dos 50 anos.
Já os Estados do Amazonas (59,8%) e Pará (59,3%) apresentam a maior proporção de engenheiros abaixo dos 40 anos na região. No Brasil, os engenheiros abaixo dessa faixa etária correspondem a 57,9% dos profissionais ocupados em 2011.
Gênero – O Amazonas possui 80,6% dos engenheiros do sexo masculino e 19,4% são mulheres. No Brasil, 82,6% dos engenheiros ocupados são do sexo masculino e apenas 17,4% do sexo feminino. Na Região Norte, 79,3% dos engenheiros são homens, enquanto 20,7% do sexo feminino.
No caso do gênero por áreas de formação no Amazonas em 2011, entre os engenheiros de minas (100%), mecânicos (91,1%), metalurgistas (87,5%) e químicos (86,9%) observam-se as maiores predominâncias do sexo masculino.
Já nas áreas de engenharia ambiental e agrimensores/cartógrafos existe um equilíbrio de 50% entre os gêneros. No caso de engenharia civil, elétrica e produção, o percentual de engenheiros do sexo masculino são 78,5%, 86,7% e 75,3%, respectivamente.
Concentração – A maior concentração de engenheiros no Amazonas (81%) está em estabelecimentos de médio e grande porte. Na Região Norte, assim como no Brasil, esse percentual é 75,2%.
No Amazonas, 59% dos engenheiros ocupados estão em empresas privadas, outros 15,7% nas entidades empresariais estatais, 9,8% em entidades sem fins lucrativos, 9,1% no setor público estadual e 3,5% no setor público municipal. Dados que se assemelham aos do País, o que, segundo análise do DIN, pode ser consequência da importância do Polo Industrial de Manaus (PIM) na economia local.
Para o engenheiro da Embratel, Lynneu Francisco Campos, formado em Elétrica com ênfase em Eletrônica e Telecomunicações pelo Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), de Santa Rita do Sapucaí (MG), para alcançar melhores salários é preciso investir na formação.
Hoje, aos 47 anos e com o acúmulo de 24 anos de experiência, ele acredita que o mercado não absorve o recém-formado da forma como este planejou a carreira, “o salário e as oportunidades iniciais não são boas, isso leva muitos engenheiros a atuarem em outras áreas, em busca de salários melhores”, disse Lynneu.
Segundo ele, para conquistar remuneração melhor, é preciso que o profissional invista constantemente na formação, com cursos de especialização, mestrado e doutorado.
Boletim de Indicadores de CT&I – O Boletim é um estudo feito pela equipe técnica da Secti-AM e está disponível no Portal Ciência em Pauta. A edição anterior, abordou o tema “Fundo setorial CT – Biotecnologia no Estado do Amazonas”, e apresentou os resultados da participação dos principais Estados no processo de captação de recursos oriundos desse fundo. A pesquisa detalha os dados do Amazonas.
Nesta edição, o Boletim retoma à temática relacionada à caracterização das engenharias na Região Norte e, em especial, no Amazonas, já tendo tratado, em edições anteriores, da formação e pós-graduação dos engenheiros no Estado e na região. A versão atual é relativa às últimas análises que compreendem os anos de 2000 a 2011.
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