Uma seleção de 62 fotografias, mapas, cartas, relatos de viagens, manuscritos e documentos originais feitos pelo conde italiano Ermanno Stradelli (Piacenza, 1852 – Manaus, 1926) durante suas expedições na Amazônia será apresentada ao público amazonense, a partir do próximo sábado (dia 29 de junho), no Centro Cultural Palácio Rio Negro, Centro de Manaus.
A exposição “A Amazônia de Ermanno Stradelli: rio, povos e lendas sob o olhar de um explorador italiano” é promovida pelo Instituto Italiano di Cultura (ICC) em parceria com a Sociedade Geográfica Italiana e o Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC).
Entre os meses de abril e maio deste ano, a mesma exposição aconteceu em São Paulo. Agora é vez dos amazonenses conferirem o trabalho e a vida do viajante italiano. A mostra segue em Manaus até o dia 25 de agosto.
“O Stradelli contribui muito com a história da Amazônia do século XIX, especialmente do Amazonas. E nós ainda conhecemos pouco sobre ele. Foi ele, por exemplo, que representou a firma que fez o lançamento da pedra fundamental do Teatro Amazonas”, disse a assessora de relações institucionais internacionais da SEC, Suzy Osaqui.
A curadora da exposição é a adida cultural da Itália e diretora adjunta do Instituto Italiano de cultura, em São Paulo, Lívia Raponi. Ela chega a Manaus na próxima quarta-feira.
De acordo com informações do ICC, a exposição conta a Amazônia de Stradelli, através de um conjunto de fotosque ele realizou durante navegações fluviais e excursões na floresta entre 1879-1900, além de documentos originais provenientes do acervo histórico da Sociedade Geográfica Italiana. Todos procuram mostrar a trajetória do viajante, oferecendo também uma ilustração do contexto histórico dos exploradores italianos no século XIX.
Considerado mediador cultural entre as civilizações indígenas e o mundo dos “civilizados”, Stradelli em muito contribuiu com a etnografia da Amazônia. Ele viveu com os indígenas, registrando o que viu em manuscritos, fotografias e textos publicados em periódicos especializados da Itália e do Brasil.
Como legado, o italiano deixou poemas, vocabulário em língua tukano, o dicionário clássico de Nheengatu, versões variadas de mitos indígenas e mapas geográficos do Amazonas. A biografia de Stradelli, que nasceu rico em um castelo na Itália e morreu pobre numa cabana improvisada como lepresário (Umirizal) em Manaus, foi registrada pelo historiador Câmara Cascuda.
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