“Salvem-se, ao menos, as gerações de amanhã, como um prêmio à agonia lenta dos que, hoje, sucumbem em silêncio”. O grito de alerta contra o “mais inimigo brutal que perturba a população amazonense” na década de 1920, a hanseníase, faz parte da obra A Leprosaria de Paricatuba, de Cesar Cavalcanti, publicado inicialmente em 1926 e relançado agora pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado da Cultura.
A obra de Cavalcanti é uma das dez da Coleção Documentos da Amazônia que ficarão expostas a partir desta quinta-feira (06 de junho) até o fim do mês de junho, na Biblioteca Pública do Amazonas, Centro de Manaus. Ligado ao programa de incentivo à leitura Mania de Ler, o Documentos da Amazônia visa editar ensaios científicos, literários, históricos e teses do século passado. A Biblioteca Pública do Amazonas funciona de segunda a sexta, das 8h às 20h e aos sábados de 8h às 14h.
De acordo com o diretor do Departamento de Literatura da SEC, Antônio Ausier, os documentos da Amazônia são obras de grande interesse, mas raras. Cerca de 200 ensaios e documentos com essa perspectiva já foram lançados, todos de autores já falecidos. “Muitas obras que estão disponíveis não podem mais ser manuseadas, e com essa nova publicação os cientistas, professores, estudantes e público em geral poderão ter acesso a elas”.
Além da obra de Cavalcanti, integram a exposição: Discursos e Opiniões sobre a colonização japonesa no Estado do Amazonas, de Vivaldo Palma Lima; Formação Espiritual da Amazônia, de Arthur Cezar Ferreira Reis; Aspectos Antropossociais da alimentação na Amazônia, de Armando Bordalo da Silva; Notas históricas sobre a navegação do Amazonas e Um protesto: resposta às pretensões da França a uma parte do Amazonas, ambas de Agnello Bittencourt.
Também fazem parte da exposição A formação espiritual da Amazônia, de Arthur Cezar Ferreira Reis; Histórias e vocabulário dos Índios Uitoto, de Nunes Pereira; Alexandre Rodrigues Ferreira e a introdução do método científico nos estudos sociais do Brasil e Tupi português e inglês: cartilha progressiva, de Protásio Silva.
Os interessados poderão adquirir as obras na máquina de livros da própria Biblioteca Pública, com valores que variam de R$ 20, 00 a R$ 15,00. Com a reedição, são colocados à disposição da sociedade 300 exemplares de cada obra, e boa parte ficará disponível no acervo de bibliotecas da SEC.
A leprosaria de Paricatuba
Os anos pavorosos diante do aumento dos casos de hanseníase em Manaus, então chamada vulgarmente de lepra e que na época não tinha cura, dos contatos dos “leprosos” com os sãs, o segregamento dos doentes e a transferência deles para um casarão em Paricatuba, uma vila que hoje pertence ao município de Iranduba, são contados por César Cavalcanti.
Em 1922, ele iniciava os serviços de saneamento rural em Manaus e calculou que na época existiam cerca de “mil leprosos” para todo o Amazonas, quando o Estado tinha cerca de 300 mil habitantes.
Cavalcanti apresenta as primeiras impressões que teve da situação ao Dr. Belisário Pena, então diretor dos serviços de saneamento e profilaxia rural, no Rio de Janeiro, e cobra do governo e da sociedade o combate incisivo da doença.
“Era inadiável a criação de uma leprosaria-anseio, que se impõe por uma questão de saúde e de caridade, em substituição ao segregamento criminoso do Umirisal (um centro de hanseníase em Manaus, com capacidade para 15 internos, localizado no bairro de São Raimundo), e no intuito de velar por esta inditosa gente, sacudida pelo infortúnio”, conta o autor num trecho do documento.
Sinopses
A formação espiritual da Amazônia
Arthur Cesar Ferreira Reis
Edições Governo do Amazonas/SEC
Até 1693, apenas os frades de Santo Antônio, os jesuítas, os mercedários cuidavam das populações selváticas. Carmelitas e frades da piedade olhavam outros problemas da espiritualidade regional, como estamos verificando. Porém, S. Majestade houve por bem, ao mesmo tempo em que dividiu o espaço amazônico para encargos de catequese, convocar todas as cinco ordens para a façanha.
Um protesto: resposta às pretensões da França a uma parte do amazonas
Agnello Bitencourt
Edições Governo do Amazonas/SEC
A imprensa portuguesa foi vivamente excitada, e todas as folhas do reino se ocuparam da maneira por demais rápida com que a republica francesa se julgara no direito de, lançando seus navios até as terras do Congo, apoderar-se de territórios sobre os quais nunca foram contestadas. Inaugurava assim a França uma época de colonização.
A leprosaria de Paricatuba
Cesar Cavalcanti e Cia
Edições Governo do Amazonas/SEC
Ao iniciar os serviços de saneamento rural em Manaus. Cesar Cavalcanti se deparou com uma sensação de pavor, ao verificar o numero de leprosos vagando pelas ruas, em contato com as pessoas sãs. Este livro apresenta as primeiras impressões ao Dr. Belisario Penna, então diretor dos serviços de saneamento e profilaxia rural, no Rio de Janeiro.
Alexandre Rodrigues Ferreira e a introdução do método cientificam nos estudos sociais do Brasil
Almir de Andrade
Edições Governo do Amazonas/SEC
Por meio da formação cientifica de Alexandre Rodrigues Ferreira, vamos encontrar projetada no Brasil, a eclosão daquele surto renovador na cultura cientifica de Portugal, que teve lugar após a reforma universitária realizada ali, em 1772, pelo marquês de Pombal, vamos encontrar ainda uma tentativa feita pelo governo português, para dar bases cientificas aos seus processos de exploração econômica.
Aspectos Antropossociais da alimentação na Amazônia
Armando Bordalo da Silva
Edições Governo do Amazonas/SEC
O problema alimentar é um problema complexo para que com proficiência se o esgote a contento. Armando Bordalo apresenta sua contribuição com um pequeno estudo sobre tão importante tema.
Discursos e opiniões sobre a colonização japonesa no Estado do Amazonas
Vivaldo Palma Lima
Edições governo do Amazonas/SEC
O Sr. Vivaldo Lima, organiza este trabalho para mostrar aos bons brasileiros, a repulsa que está tendo a insídia campanha promovida, na Capital Federal, pelos inimigos do Amazonas, que agem encobertos pela capa de um falso patriotismo, cujo fim é retardar o progresso deste Estado nortista.
Histórias e vocabulário dos índios Uitoto
Nunes Pereira
Edições governo do Amazonas/SEC
Este trabalho é uma sondagem na mentalidade de um informante Uitoto, desenraizando do seu meio, mas conservando na sua memóriaelementos da vida social e da vida mitológica da sua gente. Que este trabalho possa ser proveitoso a qualquer pesquisador dos aspectos culturais desse povo infeliz.
Notas históricas sobre a navegação do Amazonas
Agnello Bitencourt
Edições Governo do Amazonas/SEC
Relata em 1828, a constituição de uma sociedade para promover a agricultura, indústria e navegação, mas não surtiu efeito. Em 1837, Nova tentativa. Organizou-se a empresa, distribuíram-se as ações, mas tudo ficou perdido, com a retirada do presidente que a promovera.
Roteiro do rio Purus e seus afluentes
Raymundo Luiz Ferreira
Edições Governo do Amazonas/SEC
Não representa de modo algum a presente obra uma prova de minha competência no assunto de que ela trata, mas, apenas, o cumprimento de reiterados pedidos de amigos. Publicando-a, não é outro o meu pensamento que oferecer um guia mais ou menos prático aos que navegarem pela primeira vez o rio Purus.
Tupi – Português e Inglês
Protásio Silva
Edições Governo do Amazonas/SEC
Nesta obra, apresenta-se o “Primeiro Livro” de leitura em forma progressiva, começando por um silabário que se vai alternado metodicamente, segundo preceitos pedagógicos.