Estudantes do município de Guajará (na 4ª Sub-região, a 1.474 quilômetros da capital amazonense) participam das audiências realizadas nas escolas pelo juiz de direito Flávio Albuquerque, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). A iniciativa do magistrado tem como objetivo aproximar e levar conhecimento à comunidade por meio do trabalho feito pelo poder Judicário.
Em maio de 2010, o juiz Flávio Albuquerque foi designado para responder pela Comarca de Guajará e resolveu pôr em prática a ação que ele começou em 2007, quando passou a ir às escolas ouvir estudantes e comunitários de São Paulo de Olivença ( a 988 Km de Manaus), na região do Alto Solimões. “Nosso desejo é levar cada vez mais a Justiça às salas de aula para aproximar os alunos do Judiciário e quebrar a visão de distanciamento da Justiça com a sociedade.
A aproximação deu certo e o juiz descobriu o quanto havia gente interessada em saber para que serve e como funciona o Poder Judiciário e até mesmo ver, de perto, um juiz. “O conhecimento da vida social é o aprendizado diário com a comunidade. Esse trabalho tem o respaldo do desembargador Flávio Humberto Pascarelli Lopes, o qual é o responsável pelo cumprimento da Meta 4 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Essa meta tem por finalidade o esclarecimento das funções da Justiça para a sociedade”, destacou o magistrado.
Um ano e dois meses depois de ter chegado à cidade, o juiz tornou-se uma espécie de professor voluntário nas escolas estaduais, por meio da disciplina ensinada, conversas sobre a Justiça e audiências reais. “Tem duas vertentes. A primeira delas são as palestras (ou grandes diálogos) ministradas nas salas de aulas, onde tratamos de assuntos ligados à vida geral dos alunos, bem como esclarecemos o papel da Justiça; a segunda, são as audiências dos processos que também são realizadas nas salas de aulas, momento em que os alunos podem ver o juiz, promotor e advogado exercendo uma de suas funções típicas”, diz Albuquerque.
Segundo o juiz, as razões motivadoras desse trabalho podem ser resumidas assim: “magistrado é um servidor público como qualquer outro e deve ser próximo da sociedade na qual vive e julga. Esse é um aprendizado diário feito com a comunidade”.