22/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Indígena cola grau em Medicina pela UEA

Publicado em 13 de maio, 2013

Mais uma indígena beneficiada pelo sistema de cotas consegue concluir um curso superior pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Trata-se de Gércia Hermínio de Albuquerque, 31, do povo Baré e natural de São Gabriel da Cachoeira (a 858 quilômetros de Manaus), que colou grau em Medicina nesta segunda-feira (13), na Faculdade de Ciências da Saúde em Manaus.

Gércia já possuía o curso técnico em Enfermagem, mas sentiu a necessidade de fazer Medicina, por conta da rotatividade de médicos e enfermeiros no município.

A colação especial reuniu nove formandos, entre a única indígena da turma e não indígenas de Manaus, Itacoatiara e Manacapuru, que deverão voltar para suas cidades para exercer a função de clínico geral.

A política de Cotas da UEA segue as determinações dispostas na Lei 2.894/2004 e a Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind) tem apoiado e orientado os indígenas a participar do processo, inclusive com uma ampla divulgação junto às comunidades. “Com isso, os povos indígenas mostram a capacidade que têm de enfrentar esse tipo curso, considerado bem difícil, e também o compromisso de retornar à sua comunidade e ao seu povo para compartilhar o que aprendeu”, destacou o secretário da Seind, Bonifácio José Baniwa.

Entre idas e vindas de Manaus a São Gabriel, Gércia passou sete anos para concluir o curso. Uma das maiores dificuldades foi a perda da mãe. Maria Auxiliadora Velasque morreu em 2011, aos 64 anos.

“Durante o estudo, minha mãe ficou doente e eu contei com a ajuda dos colegas de turma. Eles me apoiaram nos momentos mais difíceis”, disse a indígena, que dedicou todo o esforço, com o desfecho da formatura, à memória da mãe.

O pai de Gércia, Alfredo Coimbra, de 78 anos, veio da comunidade de Cucuí, no alto Rio Negro, exclusivamente para ser o paraninfo dela.

A indígena viaja nos próximos dias para São Gabriel e retorna em dezembro para fazer a prova de Residência Cirúrgica.

Outros médicos

A UEA ainda não possui o quantitativo exato de indígenas formados em Medicina no Amazonas, mas o número de pessoas interessadas em fazer o curso tem aumentado nos últimos anos.

O interesse é tanto pelo curso que, alguns têm procurado alçar vôos bem mais difíceis em outros estados. É o caso de Adana Kambeba, que nasceu na zona rural de Manaus e é a primeira indígena do Amazonas a ingressar no curso de Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ela entrou em 2012 e, a exemplo de Gércia, pretende retornar às origens e contribuir com o conhecimento adquirido, junto aos povos indígenas.

Números

Os números da UEA apontam que, de 2005 a 2012, o Governo do Amazonas ofertou mais de 500 cursos pelo sistema de cotas aos indígenas. As vagas ofertadas chegaram a quase 1,5 mil, enquanto que os inscritos somaram a aproximadamente 7 mil indígenas.

Nem todas as vagas foram preenchidas, mesmo assim, os números são considerados positivos.

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