Pescadores integrantes da Associação dos Pescadores Esportivos do Amazonas (Amap) denunciam que os índios avançaram a Terra Indígena Waimiri-Atroari dez quilômetros dentro do lago de Balbina e efetuaram prisões e apreensões de pescadores. Os indígenas estariam, segundo eles, armados de escopetas. “Só não fomos levados para a aldeia porque o barco bateu num tronco e o motor vazou óleo. Dissemos que iam arcar com o prejuízo e eles resolveram ir buscar o óleo para completar. Aproveitamos para escapar”, contou um dos comunitários, que pediu para ter o nome omitido, temendo represálias ambientalistas.
O gerente do Programa Waimiri-Atroari, Marcelo Cavalcante, confirmou hoje, na rádio CBN Manaus, que houve uma apreensão de equipamentos, acompanhada por funcionário da Funai e o coordenador do programa no lago de Balbina. “Acompanhei tudo pelo rádio. Os equipamentos foram apreendidos, mas os pescadores foram levados às casas deles de carro, na vila (de Balbina), por nosso pessoal”, afirmou. O equipamento foi entregue, segundo ele, ao pessoal do posto do Abonari do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que fiscaliza a reserva pesqueira do lago.
Marcelo nega que os índios usem armas de fogo. “Eles só usam arco e flecha como arma. E só querem viver em paz”, disse. Ele também reconheceu que os indígenas não têm poder de polícia para prender pescadores ou apreender material, mas descartou um conflito armado, que possa se tornar sangrento. “Isso não vai acontecer”, garantiu.
Os associados da Amap estarão reunidos esta semana para discutir uma reação à atitude dos índios. O principal motivo de revolta é que as últimas apreensões e prisões teriam ocorrido nos arredores da “Ilha da Loura”, um dos locais mais piscosos do local, fora da reserva vigiada pelo ICMBio, num avanço de mais de 10 quilômetros em relação à linha demarcatória da Terra Indígena Waimiri-Atroari.
Ouça a íntegra da entrevista do gerente do Programa Waimiri-Atroari, hoje, no programa CBN Manaus.
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