29/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Audiência sobre a Campanha da Fraternidade debate saúde pública na CMM

Publicado em 17 de maio, 2012

“A sociedade também precisa participar das melhorias da saúde pública”. Com essa afirmação o arcebispo de Manaus, dom Luiz Soares Vieira, deu o tom da audiência pública, realizada na manhã desta quinta-feira (17), no plenário da Câmara Municipal de Manaus (CMM). A audiência foi proposta pelos vereadores Homero de Miranda Leão (PHS), presidente da Comissão de Saúde da casa, Lúcia Antony (PCdoB), Elias Emanuel (PSB) e Waldemir José (PT).

A audiência debateu a Campanha da Fraternidade 2012, que tem o tema “Fraternidade e Saúde” e o lema, “Que a Saúde se difunda sobre a Terra”, e refletiu sobre a realidade da saúde pública em Manaus, no Amazonas e em todo o País. Estiveram presentes, além do arcebispo e dos parlamentares, a representante da Secretaria de Estado da Saúde, Aida Yunes, a representante da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Ivone Amazonas, a presidente do Sindicato dos Cirurgiões Dentistas do Amazonas, Margareth Igashiki, o coordenador da campanha no município, padre Alcimar Araújo, o presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM), Jefferson Jezini, e a representante da Fiocruz, Fabiane Santos.

Também participaram das discussões representantes da sociedade civil, como conselheiros de saúde, associações de moradores e pastorais de saúde. “Não há nada mais precioso do que a saúde. Com essa audiência, estamos juntando esforços e repercutindo no parlamento as questões sobre a saúde pública. A ideia é que pensemos sobre isso e busquemos melhorar a situação. Nós temos o SUS. O Brasil é um dos poucos países que vê a saúde como direito de todos”, afirmou Homero.

O arcebispo de Manaus afirmou que a Campanha da Fraternidade 2012 levanta a problemática para a sociedade discutir o assunto. “A audiência pública ajuda a pensar em soluções”, disse, ressaltando que o SUS é uma das belas iniciativas feitas no Brasil, mas existe alguma razão para não ter atingido seu objetivo. “O caminho é longo. Precisa envolver a sociedade na discussão. Saúde pública não é só questão de governo, mas de sociedade também. Quando a sociedade assume essa cidadania, os resultados melhoram”, concluiu.

Dom Luiz ressaltou que o principal aspecto da saúde não é o curativo, mas a prevenção. “Temos que desenvolver bons hábitos de prevenção. Temos o melhor sistema do mundo no papel. Por que não está funcionando devidamente?”, questionou.

Aida Yunes, da Susam, afirmou reforçou a ideia do arcebispo ao afirmar que é preciso um trabalho integrado para a melhoria da saúde pública. Segundo Yunes, a saúde pública sozinha não dá conta. “Temos dificuldade de encontrar profissionais na região, principalmente na atenção básica. Os profissionais, quando se formam, não ficam aqui. Temos que buscar alternativas para aumentar o contingente de profissionais da saúde no Estado”, afirmou, sugerindo o serviço civil obrigatório para alunos egressos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Já Ivone Amazonas, da Semsa, disse que o foco principal é a atenção básica, com o desenvolvimento de ações para as famílias. Segundo ela, a Semsa realiza um trabalho de mapeamento e setorialização para ter um mapa epidemiológico de cada local em que atua.

O presidente do CRM, Jefferson Jezini, informou que não há médicos no interior do Estado. Ele lembrou a situação da maioria dos municípios do Amazonas, que estão sofrendo com a enchente, e falou que muitos hospitais estão “embaixo d’água”. “A política de saúde tem que ter uma participação de todos. Vejo uma apatia muito grande. As pessoas morem e fica por isso mesmo. Temos que discutir programas”, disse, informando que o Conselho apresentou a proposta inédita para a criação de cinco polos de residência médica no interior.

Encerrando a audiência, o vereador Homero de Miranda Leão apresentou alguns números quanto à evolução da saúde pública no Brasil. Segundo ele, em 2000, o País gastava, em média, 107 dólares, por habitante, na saúde. Em 2009, esse número subiu para 320 dólares. “Não somos uma Luxemburgo, que gasta 8.292 dólares por ano, mas já não estamos mais no fim da fila. Sou um defensor ferrenho do SUS. O SUS é sagrado, porque cuida da vida”, ressaltou.

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