As doenças diarréicas têm sido a principal ocorrência identificada pelas equipes de saúde da Prefeitura de Manaus, nas visitas domiciliares que estão acontecendo nas áreas alagadas das zonas Sul e Oeste da cidade, como parte das ações do S.O.S Enchente. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), as equipes já percorreram mais de 3 mil domicílios levando orientação e fazendo a busca ativa de casos de doenças, principalmente aquelas de veiculação hídrica (transmitidas pela água contaminada). No universo de imóveis visitados, foram identificados 200 casos de pessoas (adultos e crianças) com quadro de diarréia.
“A grande maioria dos casos não apresenta gravidade e está sendo tratado no próprio domicílio, inclusive com o suporte do soro oral, que está sendo distribuído pela Prefeitura, para evitar os quadros de desidratação decorrentes da diarreia. Apenas alguns casos mais agudos exigiram encaminhamento paras as unidades de saúde definidas como base de atendimento das áreas alagadas, ou para os Serviços de Pronto Atendimento mais próximos”, explica o secretário municipal de Saúde, Francisco Deodato.
Desde a semana passada, as equipes da Semsa que estão atuando nas áreas alagadas da cidade intensificaram as ações de educação em saúde com foco nos cuidados com a água contaminada e o lixo. As famílias também estão recebendo frascos de hipoclorito de sódio (água sanitária) e sendo orientadas sobre o uso do produto, destinado ao tratamento da água usada para as atividades domésticas. Mais de 3,7 mil frascos dos produtos já foram entregues às famílias, nas zonas Sul e Oeste.
A enfermeira Suélida Barreto, que está coordenando as equipes de atendimento da Semsa nas áreas alagadas da zona Sul da cidade, fala da dificuldade que as famílias têm em evitar, por exemplo, que as crianças se exponham às águas da enchente, correndo o risco de adquirir doenças. “Mesmo assim, temos reforçado a importância de se evitar esse contato e de não fazer uso da água do igarapé para atividades domésticas, como a lavagem de utensílios, de verduras ou para tomar banho. É fundamental, também, que ao primeiro sintoma de diarréia em algum membro da família, o agente comunitário de saúde da área seja logo avisado, para as providências de atendimento”, destacou Suélida.
Mapeamento dos poços comunitários – De acordo com o secretário municipal de Saúde, Francisco Deodato, o Departamento de Vigilância Epidemiológica e Ambiental (DVEAM), da Semsa, já está mapeando os poços comunitários onde os moradores das áreas alagadas costumam se abastecer de água para o consumo doméstico. Amostras da água desses poços serão coletadas para análise em laboratório. A medida vai permitir identificar se o lençol freático das áreas afetadas pela enchente está comprometido, com reflexo na potabilidade na água que vem sendo consumida pelos moradores.
Até o momento não foram identificados pelas equipes de saúde que estão atuando nas zonas Oeste e Sul, casos de outras doenças de veiculação hídrica importantes, como a Leptospirose e a Hepatite A, por exemplo. No entanto, como a situação é de risco para essas doenças, a Semsa também está adotando medidas que podem ajudar a preveni-las. No caso específico da Leptospirose, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da Prefeitura deve iniciar, na próxima semana, um trabalho desratização, no entorno das áreas alagadas. “Conforme o rio vai subindo, os roedores vão abandonando suas tocas, nas áreas ribeirinhas, e procurando abrigo em áreas secas, próximas de locais onde possam encontrar alimento. Vamos fazer uma espécie de cordão de isolamento, com aplicação de armadilhas e de raticida (bloco parafinado). O procedimento será repetido, inclusive, quando as águas começarem a baixar”, explicou o veterinário Francisco Zardo, diretor do CCZ.
Malária – As ações do S.O.S Enchente tiveram início pelos bairros com áreas inundadas nas zonas Sul e Oeste da cidade mas, esta semana, começaram a ser expandidas para nove áreas das zonas Norte e Leste, também afetadas pela enchente: Novo Aleixo, Riacho Doce, Monte das Oliveiras, Terra Nova II, Mauazinho, Lago do Aleixo, Vila da Felicidade, Puraquequara e Zumbi II.
Na zona Leste, além das atividades que seguem o mesmo padrão da ação desenvolvida nas demais zonas da cidade, o S.O.S Enchente vai fortalecer as ações de prevenção à Malária, com a distribuição 16 mil mosquiteiros impregnados de inseticida – os chamados MILDs. “A incidência da Malária na zona Leste é tradicionalmente baixa. Mas agora, o aumento das áreas inundadas pode favorecer a proliferação do mosquito transmissor da doença, nessa região”, explica o assessor técnico do DVEAM, Vanderson Sampaio. A instalação dos mosquiteiros deve abranger, aproximadamente, 40 localidades, num total de 5 mil imóveis.
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