O Governo do Amazonas lançou o programa Ronda no Bairro. Começou pela Zona Norte e até o fim do semestre deve chegar à cidade inteira, conforme prometido.
São quase 1000 viaturas, mais de 1000 novos investigadores, escrivães e delegados, até o fim do processo 5 mil novos PMs, parafernália eletrônica que vai do computador a câmeras de alta definição, viradas para dentro, para fora e para o meio das patrulhas… Pode-se dizer que o Ronda no Bairro está para a segurança pública de Manaus como a bomba atômica atirada sobre Hiroshima e Nagasaki esteve para a II Guerra Mundial. Tem que ser definitivo. Não dá para repetir.
Apesar de todo investimento, só possível porque o governador Omar Aziz foi secretário de Segurança e conhece as queixas históricas dos seus operadores, a base do Ronda no Bairro é a interação polícia-comunidade, policial-morador. Sem esse olho no olho e a troca mútua de confiança, todo esse aparato pode não funcionar a contento.
Há um notebook, disponível no mercado, que tem memória sólida como disco de armazenamento, dispensando os antigos HDs. Nos demais computadores, quando o usuário clica em cima de um ícone na mesa de trabalho (desktop), por exemplo, aciona uma agulha ótica que vai percorrer o disco rígido em busca do ponto onde essa informação ficou armazenada. Na memória sólida, além do espaço ocupado no gabinete ser menor, o que permite portáteis mais finos e leves, essa procura não existe e o tempo de espera também não. É tudo instantâneo.
A maior diferença, porém, entre os agora antiquados notebooks com HD e os de memória sólida, está no uso que se faz do equipamento. Quem opera com vídeo, que antes andava a passos lentos, agora está voando baixo. Para mim, que só escrevo textos e navego nas mídias sociais, não faz diferença.
Ouço que o Governo do Estado tem procurado treinar os operadores do Ronda no Bairro para evitar a subutilização. Torço para que atinjam as metas. Qualquer cidade fica muito melhor quando a gente pode andar de um lado para o outro à pé, sem temer balas perdidas ou assaltos.
O assaltante, o homicida, o estuprador ou qualquer outro tipo de criminoso potencial precisa entender, desde o banco escolar, o quanto contribui para criar um ambiente de guerra, sem quartel, onde o natural é que seja repelido duramente. Só o fato de ir à escola já o fará refletir. Custo a acreditar nesse estuprador de 15 mulheres no conjunto Eldorado, mas, pelas confissões e reconhecimentos por seis vítimas, ele é, infelizmente, mais um fruto da falha do sistema.
A sociedade deve também buscar a prevenção, na educação (sem escolas em obras após o início do ano letivo) e na infraestrutura (sem ruas escuras, esburacadas ou impenetráveis para o carro do lixo, a ambulância, o bombeiro, a viatura). É assim que haverá paz dentro dos lares. Aí a polícia não consegue reprimi-la.
O Amazonas, que produz US$ 41 bilhões na Zona Franca de Manaus, precisa transferir para seu povo um bom porcentual desse valor em qualidade de vida, do que a segurança é componente fundamental.
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* Arthur Virgílio Neto é diplomata, ex-líder do PSDB no Senado e prefeito de Manaus