O Carnaval é um momento do ano em que, há décadas, costumo ficar em Manaus e compartilhar da alegria do povo manauara. Este ano, homenageado pela Escola de Samba Mocidade Independente do Coroado, fiquei muito emocionado pela recepção calorosa do povo no Sambódromo. A escola é, pelo que vi e senti, uma expressão autêntica do descompromisso e descontração com que o brasileiro faz essa festa, acima e além dos julgamentos, focada no samba-enredo, no participante.
Foi igualmente emocionante, embora em outro contexto, nas ruas, estar entre os 100 mil foliões que fizeram o Galo de Manaus, sem seguranças, protegido apenas por minha consciência tranquila.
Avultou, outra vez, a criatividade dos nossos carnavalescos, no desfile do Grupo Especial, sábado, no Sambódromo. As escolas estavam grandiosas. Foi mais um momento espetacular da expressão amazonense.
Parabenizo aos artistas parintinenses que, outra vez, brilharam nos carnavais do Rio e de São Paulo, no Rio Grande do Sul, na Bahia, em Manaus. David Assayag, levantador de toadas do Caprichoso, foi um dos protagonistas do tema “Eu acredito em você. E você? – Histórias de superação”, da Escola de Samba Grande Rio, enquanto o levantador do Garantido, Sebastião Jr., foi um dos puxadores da escola.
A pujança dos bumbás Caprichoso e Garantido também se manifesta no Carnaboi. Quase 300 mil pessoas, em dois dias, prestigiando a festa no Sambódromo. Uma consagração. Enquanto isso, em Parintins, os blocos carnavalescos solidificam o CarnaIlha no calendário turístico da cidade, lotando hotéis, pensões e quartos nas casas que normalmente só são ocupados durante o Festival Folclórico.
Lamento, profundamente, a morte da menina Wellen Francisca Barbosa da Silva, 12 anos, atingida por bala perdida na porta da Escola de Samba Primos da Ilha, no bairro de São Francisco, sexta-feira, 17/02. Também me solidarizo com a família do menino de 12 anos atingido por outra bala perdida no conjunto Canaranas, na Cidade Nova, na saída de uma banda. São provas inequívocas de que toda a sociedade precisa se engajar no combate à violência, numa luta profunda, ampla, envolvendo todas as latitudes populares e governamentais.
Considero o Carnaval, enfim, uma oportunidade de reafirmar meu amor por Manaus e pelo Amazonas. O povo já construiu, ao longo de anos, uma festa com força suficiente para se tornar uma atração turística. Quem fica na cidade, contrariando a tradição de viajar para outras cidades ou mesmo para sítios nos arredores, consegue eventos em todos os dias de folia. E a participação popular é patente nas arquibancadas lotadas do Sambódromo, seja no desfile do Grupo Especial, sábado, ou no Carnaboi, e mesmo nas inúmeras bandas.
Manaus tornou-se um dos raros lugares do Brasil onde o Carnaval de Sambódromo, de Escolas de Samba, é tão forte quanto o de rua, nas bandas, nos trios elétricos. Temos cada vez mais dos carnavais do Rio de Janeiro e da Bahia, graças à força indomável de nosso povo.
Curti muito esses dias de festas. Ano que vem tem mais.
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* Arthur Virgílio Neto é diplomata, ex-líder do PSDB no Senado e prefeito de Manaus