Nesta segunda-feira (21), o projeto Pequenos Autores dá início à programação de lançamento da revista ‘Talentos da Nossa Terra’, que incluirá entrega das publicações e sessão de autógrafos com os alunos de escolas da rede pública participantes do projeto e que tiveram suas histórias incluídas na revista. A primeira edição será lançada, às 9h30, na Escola Estadual Senador João Bosco de Lima, localizada na Estrada Manuel Urbano, Km 1, no Cacau Pirêra. A revista está sendo lançada em dez edições com conteúdos diferentes, adequados a cada escola participante.
A publicação compõe uma das fases do projeto ‘Pequenos Autores’, promovido pelo Grupo Simões, em parceria com a Secretaria de Estado da Educação (Seduc). Em sua 4ª edição, é a primeira vez que o projeto ultrapassa os limites da capital, conforme ressalta o diretor de trademarketing do Grupo Simões, Paulo Wenceslau. “Do total de dez escolas, quatro estão localizadas no entorno de Manaus, nos municípios de Iranduba e Rio Preto da Eva”, conta. A iniciativa, diz ele, busca estender os benefícios do projeto, que tem o objetivo de estimular a criatividade e a leitura, incentivando o surgimento de novos talentos.
Familiares e comunidades poderão conhecer os talentos de jovens com idade entre 12 e 16 anos e que cursam da 7ª a 9ª série. Entre os novos autores do projeto estão, inclusive, talentos de uma mesma família – os irmãos Diogo, Lucas e Matheus Almeida de Souza, alunos da Escola Estadual Cecília C. de Oliveira, assinam uma das histórias da publicação que contém os 10 melhores contos criados por estudantes desta unidade, localizada em Iranduba. “No início, eles não acreditavam que o projeto aconteceria, porque é muito difícil uma ação deste tipo chegar ao município. Depois, deram o melhor de si e, agora, estão maravilhados com os resultados”, disse o gestor da escola, Omar Venâncio.
O gestor adianta que, na escola, o evento de lançamento será realizado na quarta-feira (23). O evento é destinado a alunos, seus familiares e comunidade, com direito a sessão de autógrafos. Os irmãos Souza, entre outros autores, poderão divulgar o resultado do trabalho escrito a seis mãos – “A Lenda do Igarapé Grande”, que narra a história do Deus Sol e da Linda Lua.
No período de 21 a 25 as revistas também serão lançadas nas escolas estaduais Luizinha Nascimento (Praça 14), Nelson Alves (Betânia), Waldocke Frick de Lira (Tarumã), Júlia Bittencourt (Compensa I), Hilda Tribuzzi (Cidade Nova), Almirante Baptista (Vila Buriti), Escola Estadual Rio Preto da Eva e mais uma localizada em Iranduba – Isaías Vasconcelos.
No sábado (26), a última fase do ‘Pequenos Autores’, será o lançamento do livro ‘O Que é da Nossa Terra’, que reunirá as 10 melhores histórias desta 4ª edição.
A Lenda do Igarapé Grande
Diogo, Lucas e Matheus Almeida de Souza
Há muito tempo atrás, no meio da floresta, em uma noite estrelada, nasceu em uma aldeia uma bela menina, cujos olhos eram negros como a noite e sua pele era macia como a areia da beira do rio. Depois de seu nascimento, o pajé da tribo pegou a criança no colo e disse:
– Seu nome será Lua, pois sua beleza é capaz de encantar os céus e a terra.
Alguns anos se passaram e Lua cresceu, se tornou a guerreira mais linda não só de sua tribo, mas de toda a floresta, o que fez com que sua beleza despertasse sentimentos em vários corações, bons e ruins.
O curupira, antes de se tornar esse ser feio que todo mundo conhece, era uma mulher linda que se chamava Ira. Ela era um dos espíritos mais lindos da floresta, porém, sua beleza nem se comparava a de Lua, e ela não aceitava ser a segunda mais bela da floresta.
Foi então que Ira decidiu fazer uma prece a Tupã, o Deus Sol. Em sua oração, Ira pediu que Tupã desse fim à vida de Lua, porque ela não aguentava mais a humilhação de ter sua beleza superada por uma mortal.
Então, Tupã teve que ser justo e fez o que qualquer líder em seu lugar faria, que era evitar uma guerra entre os espíritos da floresta.
Foi assim que certo dia, enquanto Lua se banhava no igarapé Tupã surgiu sem despertar muita atenção. Assim que o Deus Sol pôs os olhos em Lua, seu coração bateu mais forte e seus olhos brilharam como nunca antes tinha acontecido e, de repente, no céu apareceu um lindo e majestoso arco-íris.
Os anciãos da floresta sempre disseram que quando isso ocorre significa que Tupã está muito feliz e encantado. E ela estava mesmo. A beleza de Lua era irresistível e ele queria conquistar o coração daquela moça a qualquer custo.
Alguns dias se passaram e Tupã ainda continuava disposto a conquistar o coração de Lua, tanto que até tinha esquecido o pedido de Ira.
Um dia, Lua estava deitada em uma pequena praia na beira do rio, quando viu um rapaz alto e moreno vindo em sua direção. O rapaz se aproximou, segurou em sua mão e lhe disse:
– Venha comigo, Lua!
Os dois então passaram o resto do dia juntos. Tupã e Lua jamais esqueceriam aquela tarde. Foi quando Ira viu que Tupã estava completamente apaixonado por sua rival, e que isso o impediria de tirar a vida de Lua.
Isso fez com despertar a inveja e o ódio no seu coração. Então Ira esperou até que Tupã se despedisse de Lua e, assim que ele partiu, ela apareceu na frente de Lua e disse:
– Você não é digna de toda sua beleza!
E com essas palavras, Ira transformou Lua em um monte de poeira no ar.
Tupã ao ver isso ficou furioso e amaldiçoou Ira. Tirou toda sua beleza e a transformou no ser mais horrível da floresta. Depois lhe disse que a partir daquele dia ela se chamaria Curupira e teria o dever de cuidar de toda a floresta para que se redimisse de toda a maldade que fez.
Nesse dia Tupã chorou, pois percebeu que sua amada jamais voltaria para seus braços. Suas lágrimas correram por muitos quilômetros pela floresta, fazendo surgir assim o Igarapé Grande, símbolo do imenso amor que surgiu entre o Deus Sol e a Linda Lua.
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