Vinte e quatro de outubro de 2011… um dia para ficar na história das gerações presentes e futuras.
Enquanto a querida Manaus, que pela bravura e perseverança de incontáveis heróis, passou de porto de lenha ao status de grande metrópole do Amazonas, e hoje comemora mais um aniversário de sua fundação, aqui do outro lado do rio começa uma nova história, com a inauguração da antes sonhada e agora materializada ponte Rio Negro.
Com ela, decreta-se o fim de um calvário que durou 37 anos: longas filas, horas e horas de espera, gente que perdeu a vida por não ter chegado mais rápido a um hospital de Manaus e, de quebra, balsas velhas, sem higiene, sem conforto para os turistas e muito menos para os moradores de Iranduba, Manacapuru e Novo Airão que, por motivos diversos, precisaram cruzar o majestoso rio Negro nesses ferry boats desde 1974 até aqui.
Entretanto, como diz o Apóstolo Paulo na Carta aos Romanos 8,28, “todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus”. Não fora esse quadro de extremo caos, que todos presenciamos por quase quatro décadas, não estaríamos celebrando hoje essa grande conquista, pois foi justamente a precariedade do serviço de balsas entre o Cacau-Pirera e Manaus que suscitou o movimento da sociedade civil organizada, sob a liderança do Conselho de Cidadãos de Iranduba, por uma forma eficiente de integrar esta região à capital do Estado.
E embora num passado muito distante tenha havido quem sonhou ou profetizou que no futuro haveria uma ponte sobre o rio Negro, o primeiro passo para chegarmos a este dia radiante, em que vemo-la pronta para ser inaugurada dentro de poucas horas, foi dado por idealistas como Antônio Maia, ex-Presidente do Conselho de Cidadãos; o falecido Advogado Ananias Barbosa, o Empresário e Cônsul da Espanha na Amazônia Ocidental Modesto Nóvoa Rivas; o empresário João Dângelo, de Manacapuru; o Engenheiro Carlos Alberto, os atuais Prefeitos de Iranduba, Nonato Lopes, e de Manacapuru, Ângelus Figueira; os ex-Prefeitos José Maria Muniz, de Iranduba; Washington Régis, de Manacapuru; Wilton Santos e Luiz Carlos Areosa, de saudosa memória, de Novo Airão; o deputado estadual Francisco Souza, entre tantos outros – cidadãos ilustres ou anônimos – que a partir de 2002 puseram a sua fé em ação, sem se importar com os que caçoavam deles, proferindo frases como: “Ponte só se for de safena: uma para o Maia e outra para o Ananias, que já estão velhos”, ou ainda: “Vamos a Iranduba, pela ponte do deputado Souza”.
Sobrepondo-se a tudo isso, os pioneiros na luta por essa causa desenvolvimentista seguiram em frente, tendo a imprensa falada, escrita e televisada como um de seus mais fortes aliados. Colheram milhares de assinaturas, promoveram oito audiências públicas, buscaram apoio de todos os segmentos sociais e obtiveram a adesão das autoridades máximas do Estado e do País, levando-as a projetarem e executarem essa obra magnífica.
Testemunha ocular da história, como era o slogan do extinto Repórter Esso, lembro-me de uma data marcante em que pela primeira vez, creio, o então Governador Eduardo Braga anunciou que atenderia ao anseio popular de ver Iranduba, Manacapuru e Novo Airão ligados a Manaus por via terrestre. Foi no dia 28 de setembro de 2005, em Brasília, no Gabinete do saudoso Senador Gilberto Mestrinho.
Apresentei ao Governador um documento do Conselho de Cidadãos, por meio do qual coletávamos assinaturas dos políticos do Amazonas com mandato, em apoio à campanha pela ponte.
Eduardo Braga tomou nas mãos o manifesto e pegou a caneta para assiná-lo, mas o Prefeito de Iranduba, Nonato Lopes, interveio, dizendo: “O governador vai assinar esse documento numa ocasião solene”. O Governador devolveu-me as folhas de papel, já assinadas por alguns parlamentares amazonenses, olhou para o Prefeito e, sorrindo, disse: “Nonato, nós vamos construir essa ponte!”
Daí, seguiu-se um silêncio total de Braga em relação ao tema, até se reeleger Governador, em 2006.
No segundo mandato, então, ele iniciou a histórica obra, concluída agora pelo Governador Omar Aziz, que, ainda quando Vice-Governador, participou de pelo menos uma das audiências públicas realizadas pelo Conselho de Cidadãos de Iranduba para discutir os problemas da travessia e clamar pela construção da ponte.
Ao atual Governador Omar Aziz e ao Senador Eduardo Braga, portanto, o eterno reconhecimento da nossa gente!
O ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um dos maiores estadistas do país, e a atual Presidenta Dilma Rousseff, que representa a excelência da mulher administradora, são também nomes que haverão de se perpetuar nas páginas da história de Manaus e, de modo especial, dos municípios outrora separados da capital pelas águas do rio Negro. A eles a nossa gratidão, por terem aberto os cofres do Governo Federal para investir no nosso sonho, permitindo-o virar realidade.
Eis a ponte rio Negro, tão pomposa quanto a Amazônia que a envolve.
Hoje é dia de regozijo! É dia de confraternização entre interioranos e manauaras! É dia de agradecer, sobretudo, a Deus, por esta tão grande bênção que já começou a mudar para melhor a vida da gente!
Chegou a integração! Manaus, Iranduba, Novo Airão e Manacapuru mais próximos do que nunca, unidos a outros municípios do Amazonas pelos laços da Região Metropolitana.
E que venha o progresso! Que venham os novos moradores dos quatro cantos do Brasil e do mundo! Que se agigantem esta terra e suas cercanias! Que nos projetemos para o universo, e sejamos conhecidos como um povo de fé e de ação!
Para quem conquistou a segunda maior ponte do mundo, nada mais será obstáculo, porque, como diz o texto sagrado, em Filipenses 4,13 – “tudo posso naquele que me fortalece”.
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* J. Ray é radialista e poeta.