Eles ainda não concluíram o curso de Engenharia Mecânica da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mas já são veteranos no campo da pesquisa. Suzianne Aguiar, Alan Redig e Jonas Pereira, estudantes do oitavo período, participaram, esta semana, do 10º Congresso Ibero-americano de Engenharia Mecânica que reuniu na Universidade do Porto, em Portugal, especialistas, pesquisadores e profissionais da área para troca de experiências e divulgação de pesquisas no campo da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Os jovens cientistas apresentaram cinco estudos sobre materiais alternativos capazes de substituir a fibra de vidro e outros produtos nocivos ao meio ambiente. A equipe procura em fibras naturais encontradas no Amazonas e em Cuba, a matéria-prima que permita o desenvolvimento de produtos para aplicação na construção civil, na indústria mecânica e de mobiliário, embalagens e na indústria automotiva como chapas e painéis para veículos, recipientes de pequeno e médio porte para manipulação de produtos e até próteses ortopédicas.
Segundo o professor da UEA Gilberto Garcia del Pino, especialista em Manufatura Mecânica a participação dos alunos tem revelado novos caminhos para as pesquisas. “O mundo está buscando alternativas naturais para substituir produtos sintéticos e o Amazonas é riquíssimo em possibilidades para as pesquisas de novas matérias-primas”, explica o professor enfatizando a importância de projetos de iniciação científica que de um lado oferecem ao aluno a possibilidade de experimentar os conhecimentos obtidos em sala de aula e de outro recebe desses alunos a curiosidade e o enorme interesse em buscar descobertas. “Tem sido um aprendizado para todos nós envolvidos no projeto”.
De acordo com o especialista, o Amazonas tem dezenas de fibras com potencial para utilização no projeto. “Mas é preciso cautela e somente as pesquisas podem revelar quais serão, de fato, usadas”, pondera Garcia citando as fibras de envireiras, ambé, coco, buriti, canarana, mata-matá, arumã, tucumã, juta e malva entre as primeiras a serem avaliadas.
UEA, USP e Cuba
Os estudos começaram há dois anos na Escola Superior de Tecnologia da UEA na área de novos materiais alternativos, um das linhas de investigação dos grupos de pesquisa da pós graduação que une alunos e professores da UEA, da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Superior Politécnico José Antônio Echeverria da Faculdade de Engenharia Mecânica de Havana, em Cuba.
O intercâmbio é resultado de um projeto da Capes, coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do governo federal.
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